terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O método de Billings, o sexo, os tradicionalistas católicos e as feministas – uma abordagem teológica para um problema prático

Ultimamente tenho visto pulular nos meios tradicionalistas um comportamento que julgo perigoso, principalmente porque lida com vidas, com casamentos e com famílias. Refiro-me à cada vez mais propalada teoria esdrúxula de que só pode haver relação sexual entre os cônjuges se for para reproduzir-se, e que qualquer relação fora desse objetivo é “pecado mortal”.  Outro extremismo cujo fim é o de prejudicar a união conjugal vem das feministas, que insistem na tese de que uma mulher “não pode sujeitar o seu corpo ao homem”, e que o “corpo é da mulher e ela faz dele o que bem entender e na hora que quiser”.

Devemos nos lembrar que um dos principais alvos do diabo é justamente esse (destruir as famílias), e nesse intento ele usará de tudo: desde as tentações da carne para a satisfação da luxúria, a rebeldia pura e simples para com a ordem natural das coisas, como também o extremo do puritanismo exacerbado. A resposta cristã para este aparente dilema consiste justamente na sobriedade e no justo uso da razão, livre de qualquer tipo de prejulgamentos ou extremismos.

Antes de mais nada: Deus é o criador do sexo e do matrimônio

Isso é mais do que óbvio, e dispensa qualquer tipo de citação da Bíblia ou dos pais da Igreja, mas nunca é demais recapitular essa verdade que insiste em ser negada ou distorcida tanto pelos puritanos quanto pelos libertinos: Deus (e não o diabo) criou a relação sexual, e o fez com dois propósitos, que é o de manter a espécie humana através da reprodução sexuada como também como forma de manter a união íntima entre os cônjuges. Ambas as funções são tanto complementares como não excludentes: nem sempre uma relação sexual feita entre um casal unido no sacramento do matrimônio vai cumprir o primeiro item (reprodução), mas sempre cumprirá o segundo (a união íntima do casal).

Isso começou numa ordem divina, já no livro do Gênesis, quando Deus diz ao homem:

Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou. Deus os abençoou e lhes disse: ‘Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra’...’Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda’...Por isso um homem deixa o seu pai e a sua mãe, se une à sua esposa, e eles se tornam uma só carne.” (Genesis 1, 27-28; 2, 18 e 2, 24)


Somete esta passagem bíblica inspirada já ajuda a demonstrar isso – não somente Deus cria o matrimônio entre um homem e uma mulher como abençoa essa união conjugal, o amor entre os esposos e delineia as diretrizes básicas de como esse amor pode ser frutífero.

Percebemos então que o sexo – como toda obra de Deus – é bom, do contrário negaríamos aquilo que encontramos também na Sagrada Escritura no livro do Gênesis:

Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom.” (Genesis 1, 31)


Desnecessário, mas importante destacar que o “era muito bom” de Deus incluía também o matrimônio e a relação entre os cônjuges, criados antes da queda do homem e da introdução do pecado no mundo.

O sexo como figura da íntima união entre Jesus e sua Igreja

Essa figura soará um tanto incômoda para os puritanos, mas ela não deixará de ser verdadeira: Deus usa uma relação carnal para comparar a íntima união mística dele com a sua Igreja.

Que me beije com beijos de sua boca! Teus amores são melhores que os vinhos! ... Mais que ao vinho, celebremos teus amores!” (Cântico dos Cânticos 1, 2 e 4)

Despontam figos na figueira, e a vinha florida exala perfume. Levanta-te, minha amada, formosa minha, vem a mim! Pomba minha, que se aninha nos vãos do rochedo, pela fenda dos barrancos...Deixa-me ver tua face, deixa-me ouvir tua voz, pois tua face é formosa e tão doce a tua voz!” (Cântico dos Cânticos, 2, 13-14)

Agarrei-o e não o soltarei, até levá-lo à casa da minha mãe, ao quarto daquela que me concebeu” (Cântico dos Cânticos 3, 4)

Já despi a túnica, e vou vesti-la de novo? Já lavei os pés, e os sujarei de novo? Meu amado põe a mão pela fenda da porta: as entranhas estremecem, minha alma, ouvindo-o, se esvai.” (Cântico dos Cânticos, 5, 3-4)

Coloca-me, como sinete o teu coração, como sinete o teu braço. Pois o amor é forte, é como a morte, o ciúme é inflexível como o Xeol. Suas chamas são chamas de fogo, uma faísca de Yahweh! As águas da torrente jamais poderão apagar o amor, nem os rios afogá-lo.” (Cântico dos Cânticos, 8, 6-7)

Salomão também fala sobre a relação matrimonial nos seus Provérbios, e ele é muito claro ao dizer que,

Mostre-se abençoada a tua fonte de água e alegra-te com a esposa da tua mocidade, gama amável e encantadora cabra-montesa. Inebriem-te os seus próprios seios todo o tempo. Que te extasies constantemente com o seu amor.” (Provébios de Salomão 5, 18-19)



Sim, esses e outros trechos são deveras dificílimos para os puritanos, que se pudessem os arrancariam de suas Bíblias.

Outro detalhe importante a ser destacado nesses tempos conturbados é: todas as referências bíblicas envolvendo relações sexuais de forma positiva são feitas entre um homem e uma mulher, unidos pela relação matrimonial.

O método de Billings e os tradicionalistas

No meio católico existe uma briga entre os chamados tradicionalistas e os modernistas. Alguns (repito: alguns!) dos primeiros têm trazido em diversos blogues e grupos de redes sociais uma visão puritanista do matrimônio, enxergando uma certa proibição das relações conjugais, exceto quando feitas para gerar a prole. Do outro lado, desde o lançamento da encíclica “Humanae Vitae1 do Papa Paulo VI, os católicos não ligados ao ramo tradicional da Igreja têm fomentado junto aos fiéis o uso de um método de controle de natalidade natural desenvolvido por John Billings e sua esposa Evelyn Billings, que consiste basicamente em “uma maneira comportamental e natural para conseguir engravidar, monitorar a saúde reprodutiva e adiar a gravidez, já que se baseia na auto observação e conhecimento dos períodos de fertilidade e infertilidade em cada ciclo menstrual2. Não preciso dizer que tanto a própria Igreja quanto muitos santos – bem como a própria Sagrada Escritura, fonte primária e inspirada por Deus – dizem exatamente o contrário: a relação sexual entre os cônjuges é lícita e desejável, mesmo quando ela não visa única e exclusivamente a reprodução humana. Senão vejamos os posicionamentos deles:

São Paulo, nas Sagradas Escrituras:


A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence ao seu marido. E da mesma forma o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa. Todavia, considerando o perigo da incontinência, cada um tenha sua mulher, e cada mulher tenha seu marido. Não vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e depois retornai novamente um para o outro, para que não vos tente Satanás por vossa incontinência.  Isto digo como concessão, não como ordem... Mas, se não podem guardar a continência, casem-se. É melhor casar do que abrasar-se.” (São Paulo aos Coríntios 7, 2; 5-6; 9)

A regra de São Paulo registrada nas Sagradas Escrituras é muito clara: os esposos não podem se negar um ao outro o uso da relação sexual no sagrado matrimonio – exceto se por comum acordo – como devem praticar isto como forma de evitar a tentação de Satanás para que o outro cônjuge não caia em pecado mortal.

Afastando a mentira das feministas

Este texto também afasta a falácia das feministas que tem contaminado tantas mulheres, inclusive no meio cristão: a de que o corpo da mulher é só dela e que ela só o deve doar a quem quiser e na hora que ela bem entender. Isso é verdade quando a mulher é solteira, mas ao casar-se o corpo dela não é mais só dela: o é também do seu esposo, assim como o do seu esposo não é mais só dele, pois é também dela. Como disse Deus no primeiro livro da Sagrada Escritura, ao unir-se no matrimônio já não são mais dois: são uma só carne! Esposos: o vosso corpo não é mais vosso, mas do outro com quem você escolheu dividir sua existência para o resto da vida!


O casamento como figura entre a união de Deus e a sua Igreja

Reforçando a tese de que o livro de Cantares de Salomão retrata uma união carnal para compará-la com a união mística e espiritual entre o Senhor e sua Igreja nós vemos no texto de Efésios 5, 28-33, de autoria de São Paulo, que ainda descreve como deve se dar o papel de cada um dos esposos no arranjo matrimonial:

Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido.” 

Santo Agostinho de Hipona



Santo Agostinho comenta a carta de São Paulo aos Coríntios da seguinte forma:

"O concúbito é necessário para a procriação, e só neste caso é verdadeiramente nupcial... Em tais circunstâncias [refere-se à libido do outro cônjuge] é dever dos esposos não o exigir, mas condescender com a outra parte, a fim de evitar que se lance a uma fornicação, que é pecado mortal. Ora, se ambos estão dominados pela concupiscência, realizam um ato que não é verdadeiramente nupcial. Entretanto, se na sua união atendem mais à honestidade que à desonestidade, isto é, se atendem mais ao que é próprio das núpcias que ao que lhe é impróprio, isto é o que o Apóstolo [Paulo] lhes concede como indulgência... O uso natural do matrimônio, quando ultrapassa os limites da necessidade da procriação, é escusável com a própria esposa, mas pecaminoso com uma meretriz; o uso antinatural da esposa [isto é, a sodomia] é mais execrável que o uso antinatural com uma meretriz... As leis do Criador e a conveniência das criaturas de tal modo são obrigatórias que os excessos nas coisas permitidas são mais toleráveis, que uma ou raras transgressões nas coisas proibidas. E assim, nos casados, deve ser tolerada a intemperança no uso do que lhes é permitido, para evitar que a libido os arraste ao que lhes é proibido. Por conseguinte, peca menos se recorre frequentemente à esposa, que se raríssimamente se desliza na fornicação" (Santo Agostinho - Dos Bens do Matrimônio – Editora Paulus)

Uma observação importante no ensinamento agostiniano: a sodomia – mesmo quando praticada entre um homem e uma mulher unidos no Sagrado Matrimônio – constitui falha gravíssima, e não está no rol das práticas sexuais aprovadas e abençoadas por Deus.

Pronunciamentos da Igreja anteriores à encíclica “Humanae Vitae”:

Temos de entender que o uso do ritmo natural do ciclo menstrual e da concepção só passou a ser bem conhecido no século XX. Mas a Igreja, em sua sabedoria, já endereçava a questão no fim do século XIX. A prova está nesta pergunta feita por um Bispo francês à Sagrada Penitenciária naquele período:

Alguns casais, se apegando à opinião que aprenderam de alguns médicos, estão convencidos que existem vários dias em cada mês nos quais a concepção não pode ocorrer. Devem aqueles que não usam do matrimônio exceto nesses dias serem incomodados, especialmente se eles não tiverem razões legítimas para se abster do ato conjugal?"3

Em 2 de Março de, 1853, a Sagrada Penitenciária respondeu (durante o reinado de Pio IX):

Esses citados no requerimento não devem ser incomodados, pelo fato de que eles não estão fazendo coisa alguma para impedir a concepção3

Isto indica que quando casais praticavam o chamado "ritmo", eles não realizavam um ato antinatural em si mesmo, segundo induzimos das palavras da Sagrada Penitenciária.

E ainda temos uma outra citação, desta vez no reinado de Leão XIII, quando em em 1880, o padre Le Conte submeteu a seguinte pergunta à Sagrada Penitenciária:

"Se os casais unidos no matrimônio podem ter intercurso sexual durante tais períodos inférteis sem cometerem pecado mortal ou venial? ... Será que o confessor pode sugerir tal prática tanto à esposa que detesta o onanismo do seu marido mas não pode corrigi-lo, ou para a esposa que evita ter muitos filhos?3

A resposta da Sagrada Penitenciária (durante o reinado de Leão XIII), datada de 16 de Junho de 1880, foi:

Casais que contraem o matrimônio e que usam do direito conjugal na dita forma não devem ser incomodados, e o confessor pode sugerir a opinião em questão, contudo, de forma cautelosa, para aquelas pessoas casadas que tentaram em vão outros meios de dissuadir o detestável crime do onanismo.3

Conclusão:

Não restam dúvidas: o método de Billings não é condenável, posto que mesmo com ele a fecundidade não é interrompida por meios artificiais, mas sim naturais, obedecendo o ciclo do corpo instituído por Deus na criação. Além disso, o uso do matrimônio por parte dos esposos - mesmo quando para combater a concupiscência - não somente é legítimo como aconselhável, face ao mundo extremamente erotizado em que vivemos. Fazer isto de forma regular é prova de amor de um cônjuge para com o outro, de forma a evitar que uma das partes caia em tentação pela incontinência e também para manter unido o casal na intimidade.

Por fim, a mentira da ideologia feminista que prega que a mulher é dona do seu próprio corpo e só o deve dispor “para quem, quando e como quiser” não é suportada pelas Sagradas Escrituras após o casamento entre um homem e uma mulher. A verdade é que os corpos de ambos os conjunges pertencem um ao outro, que se doam em amor e fecundidade no arranjo divino.

1 – Íntegra da Carta Encíclica “Humanae Vitae”, do Papa Paulo VI - http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae.html;
2 – Wikipedia – Verbete: Método de Ovulação de Billings https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9todo_de_ovula%C3%A7%C3%A3o_Billings
3 – Padre Mark A. Pivarunas – “On the Question of Natural Family Planning” - http://www.cmri.org/03-nfp.html


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Maria, onde está você na Bíblia?

Dia desses eu estava vendo algumas postagens na internet e deparei-me com esta pérola. Era a imagem abaixo, da qual irei tecer algumas breves considerações.


A PRETENSÃO

A pergunta capciosa e pretensiosa parece dar aquela munição para o “crente” detonar a fé católica. Mas, mal sabem eles que a associação feita sequer é cabível, muito menos convincente para qualquer pessoa mais versada na fé. Por que posso afirmar isso? Tenho boas razões para fazê-lo, e tratarei de demonstrar um pouco delas nestas breves linhas, que estão longe de encerrar o assunto, devendo ser consideradas como uma pequena e breve introdução ao papel de Maria na economia da salvação do homem, bem como de refutação a essa balela iconoclasta.

MAS, OBJETIVAMENTE, ONDE ESTÁ MARIA NA BÍBLIA?


Se buscarmos o suficiente, veremos a mãe de Jesus de forma muito clara na Bíblia. Ela está em vários lugares, mas evidentemente não tanto quanto o seu filho, que é o próprio tema da Sagrada Escritura do Gênesis ao Apocalipse. Contudo, ela aparece sim em muitos lugares de forma modesta, mas ao mesmo tempo marcante, inclusive em lugares que os evangélicos comuns veem e não a reconhecem.


Esta é, sem dúvida alguma, uma das passagens mais profundas da Sagrada Escritura acerca da importância dessa mulher para a própria redenção humana. Não estou com isso dizendo que ela é salvadora. Longe de mim tal assertiva! Contudo, restam claras algumas coisas neste curto e expressivo texto: primeiro, a simples saudação de Maria fez com que sua prima, Santa Isabel, ficasse cheia do Espírito Santo. A própria criança (João Batista) estremece no seio da mãe ao ouvir, mesmo do ventre, a voz da mãe do Salvador. Vemos aí claramente o seu perfeito casamento santo com a terceira pessoa da Santíssima Trindade: quando alguém a ouve, fica “cheia do Espírito Santo”. Segundo, e ainda mais interessante, é nesta passagem que vemos na Bíblia Maria ser chamada de “Mãe do Senhor”, título este muito claro mesmo a quem não é um teólogo.

Outras passagens indicam claramente a importância dessa “mulher”, a mesma que foi profetizada junto com o seu filho em Gênesis 3, 15, incidentalmente a primeira profecia da Sagrada Escritura. Aliás, não foi à toa que Jesus por diversas vezes chamou sua própria mãe de “mulher”, título dado a ela desde o início na Bíblia.

SUA PRESENÇA NO PRIMEIRO MILAGRE DE JESUS

Estava o Senhor numa festa de casamento, em Caná da Galileia. Ele não estava pronto para começar o seu ministério, muito menos fazer qualquer milagre. Isso fica evidente nas suas palavras:

...ainda não é chegada a minha hora.” (João 2, 4)

No entanto, ao perceber que sua mãe intercedeu pelo casal que estava para ficar sem vinho em suas bodas, Nosso Senhor antecipa o momento de executar o seu primeiro milagre. E Maria, ao invés de chamar para si as honras de ter inclinado o seu filho a atender aquele casal aflito, apenas se limita a dizer “fazei tudo o quanto ele vos disser” (João 2, 5). Maria conduziu o destino daquele casal a Jesus, dirigiu a honra para Jesus, e ela continua fazendo isto até os dias hoje!

Depois deste milagre, muitos creram em Jesus, e ao descer a Cafarnaum, lá estava a “sua mãe” junto ao mestre.

Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele. Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.” (João 2, 11-12)

SUA PRESENÇA NA CRUCIFICAÇÃO E MORTE DO NOSSO SENHOR

Maria esteve com Jesus em seu nascimento, educou-o e criou-o por décadas, e na sua morte cruenta lá estava ela ao seu lado:

E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa (João 19:25-27)

SUA PRESENÇA NA DESCIDA DO ESPÍRITO SANTO

Como já vimos até aqui, Maria esteve presente em todos os momentos, da encarnação até a morte do seu filho Jesus Cristo na terra. Contudo, sua relação estreita com o Espírito Santo é evidenciada quando da sua descida do céu, em Pentecostes, no ano 33 da nossa Era Comum:

Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele... Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.” (Atos 1,14 e 2, 1 e 2)

SUA PRESENÇA NO CÉU

Maria aparece também claramente no Apocalipse, e com uma função especialíssima na Igreja: a de ajuntar os filhos de Jesus.

Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono. A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias.” (Apocalipse 12, 1-6)

As referências dessa passagem são muito claras: a mulher (Maria) que dá a luz a um filho, um menino, que iria reger as nações com um cetro de ferro (Jesus). Assim a entenderam os pais da Igreja e assim entende qualquer um cujo véu está retirado dos olhos. Mas, embora as referências sejam claras, alguns insistem em dizer que a passagem se refere somente à Igreja. Embora seja uma aplicação cuja associação alguns pais também fizeram, a passagem tem um duplo sentido: o claro, o óbvio, e o mais velado. A mulher é Maria. Isso fica evidente quando o próprio Jesus chamou sua mãe por diversas vezes de “mulher”, associando-a inevitavelmente àquela figura que foi profetizada nas Sagradas Escrituras. Mas a Igreja também pode ser uma figura dessa mulher, pois ela “dá a luz” aos cristãos de todos os tempos e lugares. A aplicação velada não substitui a óbvia. Ambas são válidas.

Contudo, o texto continua:

O Dragão, vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino. Mas à Mulher foram dadas duas asas de grande águia, a fim de voar para o deserto, para o lugar de seu retiro, onde é alimentada por um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, fora do alcance da cabeça da Serpente. A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara. Este, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.” (Apocalipse 2, 13-17)

Fica clara a função da mulher e que o dragão (uma referência ao demônio) perseguiria a sua descendência (os cristãos) e todos aqueles que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus (a Igreja). Ora, como a “mulher” seria somente a Igreja se o dragão vai perseguir a descendência da mulher e dos que guardam os mandamentos de Deus? A mulher e os seus descendentes (a igreja) são claramente dois personagens distintos. A interpretação mais clara é que a mulher é Maria e sua descendência é a Igreja.

SUA PRESENÇA NO ANTIGO TESTAMENTO

Maria não está apenas nas passagens óbvias do Novo Testamento. Ela também está profetizada nos Salmos e nos outros profetas do Antigo Testamento. Vejamos alguns exemplos.

O próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que a virgem conceberá e dará a luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel” (Isaías 7, 14)

O profeta Isaías viu a virgem [Maria] concebendo, dando luz a um filho e dando a ele o nome de Emanuel, que significa “Deus conosco”.

Porei ódio entre ti [a serpente] e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3, 15)

Esta é a primeira profecia da Bíblia. Nela está implícita a mulher que é revelada nos evangelhos e no Apocalipse, com toda a inimizade que haveria entre ela e a serpente original, Satanás, o Diabo.

A FIGURA DA RAINHA-MÃE NO ANTIGO ISRAEL MONÁRQUICO

O reino de Deus é uma monarquia, assim como era no antigo Israel. A mãe do rei gozava de um status elevado, e levava o título de gebirah, que significa “a grande dama”. Essa figura existiu na monarquia Israelita de forma contínua. Começa com Salomão, que reina com sua mãe, Betsabá, sempre à sua direita no trono, e segue até Neústa, mãe do rei Joaquim, que foi deportado para a Babilônia juntamente com ela quando da queda de Jerusalém para a Babilônia (2 Rs 24, 15 e Jr 13, 18). A mãe do rei tinha mais destaque que as suas esposas, e exercia um papel importante na monarquia real.

Sabemos que tudo o que vemos no Antigo Testamento é uma figura do Novo. Essa tipificação da Rainha-Mãe não é por acidente. Ela é uma figura da Rainha-Mãe dos cristãos.

Então Betsabá foi ao rei Salomão para lhe falar sobre Adonias. O rei se levantou para recebe-la e se inclinou diante dela. Depois se assentou no trono, mandou trazer um trono para a sua mãe, e Betsabá se sentou à sua direita. Tenho um pequeno pedido a fazer-te, disse ela; não mo recuses. Pede, minha mãe, respondeu o rei, porque nada te recusarei.” (1 Rs 2, 19-20)

Sobre esse texto o ex-pastor protestante Scott Hahn comenta:

Essa curta passagem nos traz considerações implícitas sobre o protocolo e o poder de estrutura da corte de Israel. Inicialmente, vemos que a Rainha-Mãe se aproxima do seu filho a fim de falar-lhe em nome de outra pessoa. Isso nos confirma o que já sabemos sobre as rainhas-mães nas outras culturas do Oriente Médio... Em seguida, percebe-se que Salomão se levantou do seu trono quando sua mãe entrou no recinto. Isso dá um destaque ao assunto sobre o qual a Rainha-Mãe queria tratar com o rei. Qualquer outra pessoa que viesse à presença do rei deveria seguir o protocolo, mesmo suas mulheres deveriam curvar-se diante dele (1 Rs 1, 16). Contudo, Salomão se levanta para honrar Betsabá, mostrando mais respeito por ela ao curvar-se e lhe dar o lugar de maior honra, ao seu lado direito. Sem dúvida, esse episódio descreve um ritual da corte no tempo de Salomão, um ritual que expressa um relacionamento real. O que nos dizem as atitudes do rei Salomão quanto ao relacionamento com sua mãe? Inicialmente, seu poder e autoridade não são, de forma alguma, ameaçados por ela. Ele se curva para ela, mas continua sendo rei. Ela senta-se à sua direita e não ao contrário. É evidente, no entanto, que ele vai honrar seus pedidos não devido a alguma obrigação legal de obediência, mas, sim, por amor filial. Até o momento dessa cena em particular, Salomão tinha claramente um histórico de ceder aos desejos de sua mãe. Quando Adonias primeiro se aproxima de Betsabá para solicitar sua intercessão, ele diz: ‘Peça ao Rei Salomão; ele não vai lhe recusar’. Embora Salomão seja superior a Betsabá, na ordem da natureza do pedido e do protocolo ele permanece sendo o seu filho...Como o primeiro sucessor de Davi reinou ao lado de sua Rainha-Mãe, assim também o faria o seu último e eterno sucessor(Scott Hahn, em seu livro “Salve, Santa Rainha”, pags. 67-68)

A tipificação da figura da Rainha-Mãe no reinado do antigo Israel frente à nova monarquia divina e seus paralelos nos textos do Novo Testamento é muito clara para ser ignorada.

E A IDOLATRIA ÀS SUAS IMAGENS, NÃO ESTÃO PROIBIDAS NOS DEZ MANDAMENTOS?

É fato que responder a esta pergunta demandaria praticamente um outro artigo completo, mas tentarei endereçar a questão da forma mais direta possível. Deus verdadeiramente proibiu a idolatria, principalmente naquele contexto em que vivia a nação de Israel, cercada por outras nações que adoravam deuses falsos e que os representavam através dos seus ídolos feitos com ouro, madeira ou pedra. Por isso Deus foi radical:

Não terás outros deuses diante de minha face. Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto.” (Êxodo 20, 3-5)

Os nossos irmãos separados (protestantes) entendem neste (e em outros versículos) que Deus estaria proibindo qualquer representação em imagens. Veja, contudo, que sua aplicação, se levada à cabo por eles acabaria por inviabilizar a própria vida moderna: não poderíamos ter esculturas de espécie alguma, as fotos seriam proibidas, a sétima arte idem, pois a proibição foi clara; não poderíamos fazer “figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra”. Imagine um mundo em que uma simples revista cheia de fotos seria um pecado mortal, ou um cônjuge que leve uma foto de sua família na carteira sendo taxado de “idólatra”. É esse o extremismo que deveria prevalecer, caso os argumentos dos iconoclastas prosperasse. Contudo, a Bíblia não pode ser interpretada em versos separados do seu contexto histórico, cultural e temporal, muito menos por versículos isolados. É preciso ver o todo. E o que esse todo nos diz?

Primeiramente, que Deus mandou confeccionar imagens de escultura no próprio Velho Testamento. Sim, vejamos:

Farás também uma tampa de ouro puro, cujo comprimento será de dois côvados e meio, e a largura de um côvado e meio. Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro, fixando-os de modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa. Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto, e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada. Colocarás a tampa sobre a arca e porás dentro da arca o testemunho que eu te der. Ali virei ter contigo, e é de cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens para os israelitas.” (Êxodo 25, 17-22)

Fez dois querubins de ouro, feitos de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado, outro de outro, de maneira que faziam corpo com as duas extremidades da tampa. Esses querubins, com as faces voltadas um para o outro, tinham as asas estendidas para o alto, e protegiam com elas a tampa para a qual tinham as faces inclinadas.” (Êxodo 37, 7-9)

e o Senhor disse a Moisés: 'Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.'. Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida.” (Números 21, 7-9)

Outros textos para consulta: Êxodo 41,18, 1 Reis 6,23-29.32; 7,26-29.36; 8,7, 1 Crônicas 28,18-19, 2 Crônicas 3,7,10-14; 5,8, 1 Samuel 4,4.

Fica evidente que a aplicação da chamada “idolatria” não pode ser a que a dão os protestantes. Do contrário, Deus seria incoerente (e sabemos que Ele não é!). Como Ele mandaria proibir uma coisa e logo em seguida mandar fazer exatamente o contrário do que Ele havia ordenado? Das duas uma: ou Deus é confuso ou é a interpretação protestante que está errada. Como bom fiel que sou, a segunda opção é que é a única viável: a interpretação protestante está errada!

O que seria então a idolatria? Seria exatamente o que a palavra quer dizer: a junção das palavras εἴδωλον (Eidolon - Simulacro), que indica um objeto de adoração em matéria de realidades espirituais e λατρεια (latria – adoração). Ou seja: idolatria é a adoração de deuses falsos. E isso não pode, sob nenhum aspecto ser comparado à veneração dos católicos aos seus santos, especialmente a Maria, pois para nós os santos não são “deuses”: muito pelo contrário, são servos do único e verdadeiro Deus, o único que merece a adoração. Ainda, não são personagens falsos, mas são pessoas históricas que pertenceram (e ainda pertencem) à Igreja, que viveram o exemplo cristão no seu ápice, e que servem como um modelo a ser imitado.

Para os católicos a honra (dúlia) prestada aos seus santos não se confunde com a adoração (latria) devida única e exclusivamente a Deus. Isso já era bem evidente no tempo de Santo Atanásio, que no século IV já dizia de maneira absolutamente clara (quando já havia o falso discurso de “idolatria” contra os cristãos):


No demais, esse ponto está mais do que refutada neste vídeo de apenas 14 minutos, o qual referencio para uma elucidação mais embasada acerca da razão pela qual não se pode afirmar que as imagens dos santos é uma idolatria.


Enfim, não irei me alongar na refutação a esse ponto em específico, já bem elucidado no vídeo acima, mas é evidente que a Igreja Católica não suporta a idolatria tal qual nossos irmãos separados costumam nos acusar. Falta-lhes uma visão histórica mais apropriada para fazer um julgamento mais salutar daquilo que a Igreja sempre fez. Fica claro também que Maria está na Bíblia em diversos lugares, e que tem uma posição muito mais relevante do que muitos protestantes podem pensar.

ENTÃO, COMO RESPONDERÍAMOS À PERGUNTA DA GRAVURA QUE ENCABEÇA ESTE TEXTO?

Eu Responderia: ela está em Lucas 1, 48, quando nos é dito que “todas as gerações” a chamariam de “bem aventurada”. Ela está em João 19, 26-27, quando Jesus entrega-a a João e simbolicamente a toda a humanidade dizendo “eis aí a tua mãe”. Ela está em Atos 1, 14 “perseverando na oração”. Ela está em Gênesis 3, 15 como a “mulher” que teria inimizade perpétua com a serpente maligna. Ela está também em Apocalipse 12 como a mesma “mulher revestida de sol, com a lua debaixo de seus pés e uma coroa de doze estrelas”. Ela está em Isaías 7, 14 como a “virgem” que “conceberá e dará a luz um filho”. Ela está em 1 Reis 2, 19-20 como a Rainha-Mãe a quem apetece ao rei atender-lhe os rogos, e em tantos outros lugares, escondida nos tesouros das Sagradas Escrituras. Mas ela está, sobretudo, em todos os registros que a Igreja conserva há mais de 2.000 anos: nos escritos dos pais apostólicos, na liturgia deixada pelos apóstolos, nas catacumbas dos cristãos perseguidos nos primeiros séculos do cristianismo, bem como no magistério infalível da Igreja cujas “portas do inferno não prevalecerão” e que é a “coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3, 15).

PARA SABER MAIS:

  • Salve, Santa Rainha / Scott Walker Hahn, 2ª Edição. Editora Cleofás, 2015 (a venda neste link);
  • BALTHASAR, Hans Urs von; RATZINGER, Joseph Aloisius. Maria a primeira Igreja. Gráfica de Coimbra, 2004. p.59-78 (acessível neste link no site "Apologistas Católicos")

domingo, 8 de junho de 2014

Cristãos: os novos sapos cozidos?

Penso que você já deve ter ouvido falar daquela técnica de matar de forma eficaz um sapo na panela. Se você retirar o animal de seu ambiente e jogá-lo numa panela quente, ele saltará imediatamente dela – devido à natural contração muscular causada pelo choque térmico – e fugirá para longe. Isso não acontece se ele for retirado gentilmente do seu habitat e colocado numa panela com água fria. Ligue-a no fogão e o sapo ficará nela, feliz da vida, até morrer cozido.

Os cristãos parecem obedecer à lógica do sapo na panela. O mundo é revirado, suas crenças são pilhadas, a base ocidental lentamente destruída, alguns milhares já começam a ser martirizados do outro lado do mundo e por essas bandas do atlântico eles continuam louvando a Deus como se nada estivesse acontecendo. 

Entretanto, não somos sapos: somos seres dotados de inteligência dada do alto para discernirmos os tempos e as estações, sabendo conhecer o inimigo e principalmente como agir diante das tormentas do mundo moderno. Isso também inclui ter uma noção clara da atitude correta diante das ameaças feitas de forma direta ou velada à nossa fé e cultura.

Os cristãos “sapos cozidos” agem de forma irresponsável e passiva diante das transformações do mundo, lavando as suas mãos como Pôncio Pilatos fez no julgamento de Jesus, na ilusão de eximirem-se da sua responsabilidade como cidadãos e como cristãos. 

“Não devemos misturar política com religião”

Esse é o erro mais comum cometido pelos cristãos anfíbios que adoram uma panela fria. Os tais parecem esquecer que, embora o reino de Deus não seja deste mundo, ainda vivemos nele, e como tais temos o direito de usar de forma ostensiva a nossa cidadania. Foi o que fez São Paulo, que quando ameaçado de ser açoitado injustamente apelou para esse aspecto político.

Quando estavam a amarrar Paulo para o açoitar, este disse a um oficial que se encontrava perto: ‘Será legal chicotear um cidadão romano que nem sequer foi julgado?’ O oficial falou com o comandante e avisou-­o: ‘Veja lá o que vai fazer! Trata-­se de um cidadão romano’! O comandante foi ter com Paulo e perguntou­-lhe: ‘Diz-­me, és cidadão romano?’ – ‘Sou, sim’, respondeu Paulo. ‘Também eu’, murmurou o comandante, ‘e esse direito custou-­me muito dinheiro!’. ‘Mas eu sou cidadão romano por nascimento!’. Os soldados que se preparavam para interrogar Paulo foram-­se logo embora quando souberam que era um cidadão romano, e o próprio comandante ficou assustado por ter mandado que o amarassem e açoitassem.” (Atos dos Apóstolos 22, 25-29)

Vemos que Paulo usou sua cidadania para defender-se dos algozes, o que implica dizer, necessariamente, que usou seus direitos de forma ativa contra uma injustiça. E um pouco mais à frente, usa todo o seu conhecimento para retrucar até mesmo o Sumo-Sacerdote judeu.

Logo Ananias, o supremo sacerdote, mandou aos que se encontravam junto de Paulo que lhe batessem na boca. Paulo disse-lhe então: ‘Deus o castigará a si, hipócrita! Que espécie de juiz é o senhor, que viola a lei ordenando que me batam?’” (Atos dos Apóstolos 23, 2-3)

Jesus também mostrou que devemos dar “a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21). Ele não disse: “Deem a Deus o que é de Deus e calem-se nas coisas de César”. 

Com esses exemplos, vemos que é lícito ao cristão usar a sua cidadania – e isso inclui o voto – para manifestar-se e cobrar das autoridades o estrito respeito às leis e direitos vigentes. Essa atitude é importantíssima para que não retirem do arcabouço legal os princípios ocidentais (e cristãos) que nos custaram tão caro ao longo dos séculos e que hoje desfrutarmos de maneira privilegiada. 

O marxismo cultural tem por alvo destruir a família – a base da sociedade instituída por Deus

Outra ingenuidade sem tamanho de muitos cristãos (quando não se trata de mau-caratismo mesmo) é apoiar os movimentos baseados no marxismo cultural de Antônio Gramsci, membro da chamada Escola de Frankfurt, que traçou uma nova estratégia para pôr em prática as ideias satânicas de Marx e Engels: a guerra revolucionária não funcionou pelas armas, sendo necessário então corroer o ocidente por dentro, numa “revolução cultural”, onde todos os seus valores mais caros seriam lentamente corrompidos, até que não restasse mais nada dessa cultura e onde os seus filhos fossem propriedade do estado, e não mais das famílias.  Vamos convir, eles estão conseguindo o seu intento muito bem e muitos “cristãos” estão apoiando e aplaudindo tais mudanças! O cenário é muito parecido com o retratado por George Orwell em seu célebre 1984 – o grande irmão (que representa a figura de um líder estatal populista e inerrante) é o dono das consciências e de todos os cidadãos, inclusive das crianças. 

Vejamos então o que Marx e Engels pensavam a respeito da instituição família:

...fundada sob a dominação do homem com o fim expresso de procriar filhos duma paternidade incontestável, e essa paternidade é exigida porque essas crianças devem, na qualidade de herdeiros diretos, entrar um dia na posse da fortuna paterna.” (Marx e Engels, em “A origem da Família, da propriedade privada e do Estado”)

Eles também eram contra a monogamia, e a viam como uma forma de “opressão” do homem para com a mulher:

primeira luta de classes que aparece na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher no casamento monogâmico, e a primeira opressão de classe coincide com a submissão do sexo feminino pelo masculino.” (Marx e Engels, em “A origem da Família, da propriedade privada e do Estado”, pg. 23)

Mais a frente Engels diz ainda:

"A certidão da paternidade repousa, antes e depois (...) na convicção moral, e, para resolver a insolúvel contradição, o código de Napoleão decreta, art. 312: ‘A criança concebida durante o casamento tem por pai o marido’. Eis aí o último resultado de três mil anos de monogamia"

O Padre Paulo Ricardo resume bem o cerne do pensamento marxista a respeito da família: 

Para o marxismo, a origem das desigualdades sociais é a família, e a primeira propriedade privada que existiu não foi uma cerca, mas sim, a mulher. O homem toma posse da mulher, domina-a e este conceito de família patriarcal, em que o macho é o proprietário da mulher e dos filhos é o da família burguesa, portanto, deve ser destruída. Eles afirmam que não haverá igualdade social enquanto subsistir a família, pois é a raiz de todas as opressões, portanto, os papéis tradicionais de pai, mãe, esposo, esposa, pais e filhos, todos eles devem ser abolidos, posto que opressores.” (Padre Paulo Ricardo em “A Família no Centro da Política”)

O esquerdismo atual encampa a luta contra essa instituição “opressora” chamada família

O esquerdismo é o veículo da atual revolução, que não se dá pelas armas, mas pelo aspecto cultural, obedecendo ao velho conceito pregado por Antônio Gramsci lá nos idos dos anos 30. Para atingir o objetivo eles usam todas as ideologias em vigor para alcançar o seu objetivo final, dos quais destaco o feminismo - incluindo a luta pelo “direito” ao aborto, também denominado de abortismo - e o gayzismo, no intuito de figurarem como os principais instrumentos para a desconstrução da chamada sociedade judaico-cristã.


Maiores detalhes sobre a metodologia de Antonio Gramsci para a revolução cultural, clique aqui.


As esquerdas acusam constantemente as “elites” de perpetuar as “injustiças” e a “opressão” para com o proletariado (aliás, quando você ouvir a palavra “opressão”, é bom desconfiar seriamente que está lidando com alguém que foi infectado de forma severa pela doença esquerdista). Estranhamente, os principais financiadores desses movimentos são justamente os grupos que dominam todo o capital financeiro especulativo.

O Padre Paulo Ricardo fala desse fenômeno chamado "Marxismo Cultural" e o seu intento de destruir a família:




Quem financia o feminismo e o abortismo?

Somente no ano de 2013 a Fundação Ford doou mais U$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil dólares americanos) para organizações feministas. 

A fundação MacArthur também faz doações gordas para diversas organizações feministas/gayzistas/abortistas:

  • Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA);
  • Cunhã—Coletivo Feminista;
  • Fala Preta—Organização de Mulheres Negras;
  • Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos;
  • Themis—Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero;
  • Programa de Apoio ao Pai (PAPAI);
  • Casa de Cultura da Mulher Negra;
  • Católicas pelo Direito de Decidir; 
  • Dentre outras inúmeras ONG's que carregam em seus discursos a ideologia feminista.

Aqui vemos um relatório da Fundação Ford dos anos 90 mostrando claramente que dentre os objetivos da entidade estão o fortalecimento do feminismo e a legalização do aborto: 

Aqui um relatório da MacArthur que comprova o financiamento de projetos e ONG's pró-aborto e feminismo: 


Por que as verdadeiras elites financiam o feminismo e o abortismo?

Décadas atrás o magnata do petróleo John Rockefeller III se preocupava com a taxa de crescimento populacional no mundo. Para conter esta taxa, além de financiar diversos métodos médicos para evitar a gravidez, Rockefeller também financiava o aborto e sua legalização em diversos países. 

Por volta dos anos 70, Rockefeller teve contato com Adrienne Germain, uma socióloga que o convenceu que ele poderia utilizar uma estratégia mais eficiente para conter o crescimento populacional mundial.

A nova estratégia proposta por Adrienne não seria apenas utilizar métodos médicos, mas também utilizar a engenharia social e a cultura como meio para conter o aumento da população. 

Juntamente com esta cientista social que então trabalhava na Fundação Ford, Rockefeller resolveu introduzir o conceito de emancipação da mulher e dos direitos sexuais e reprodutivos. Com isso, a Fundação Ford e as Organizações Rockefeller passaram a financiar ativamente as redes de ONGs feministas.

É nesse prisma que vemos a razão por trás dessas organizações financiarem campanhas para influenciar as mulheres a terem ojeriza à gravidez a à própria família. O objetivo é arrancar da mulher o sonho de ser mãe e introduzir o sonho de ser bem-sucedida no trabalho. Até o movimento que vemos de muitas mulheres adotando animais no lugar de crianças tem o dedo dessas fundações. Tudo como pano de fundo para diminuir a taxa de aumento populacional, o verdadeiro pesadelo da verdadeira elite mundial que se esconde por trás do anonimato. No vídeo abaixo, Aaron Russo conta os planos que estavam por trás das intenções da família Rockefeller ao financiar o movimento feminista.



Qual o resultado do feminismo na mente das mulheres  e quais as consequências sociais desse movimento ?

O feminismo instiga o ódio entre os gêneros, exatamente como é feito nas lutas das diversas classes (sociais, de preferência sexual, de raça ou de qualquer outra coisa). O marxismo cultural vive exatamente do eterno conflito dos diversos segmentos com o objetivo de desmantelar a sociedade e viabilizar a utopia socialista/comunista, onde o estado é o senhor absoluto das nossas vidas.

Veja o resultado do pensamento feminista conforme expresso por suas próprias líderes:

"Homens que são acusados injustamente de estupro podem, às vezes, aprender com essa experiência" (Catherine Comins)

"No patriarcado, todo filho de uma mulher é seu potencial traidor e também inevitavelmente o estuprador ou explorador de outra mulher" (Andrea Dworkin)

"Todo ato sexual, e mesmo o sexo consentido entre um casal no matrimônio, é um ato de violência perpetuado contra a mulher" (Catherine MacKinnon)

"Chamar um homem de animal é elogiá-lo. Homens são máquinas, são pênis que andam" (Valerie Solanos)

"Todos os homens são estupradores, e isso é tudo que eles são" (Marilyn French)

"Quando uma mulher tem um orgasmo com um homem ela está apenas colaborando com o sistema patriarcal, erotizando sua própria opressão" (Sheilla Jeffrys)

"Eu sinto que odiar os homens é um ato político honrado e viável" (Robin Morgan)

"Uma mulher que faz sexo com um homem, o faz contra a sua vontade, mesmo que ela não se sinta forçada" (Judith Levine)

"Quero ver um homem espancado e sangrando, com um salto alto enfiado em sua boca, como uma maçã na boca de um porco" (Andrea Dworkin)

"O homem é um animal doméstico que, se tratado com firmeza, pode ser treinado a fazer algumas coisas" (Jilly Cooper)

Podemos ver o quão doentia é essa ideologia e o quanto ela impacta no comportamento feminino, em maior ou menor grau, por conta da massiva propaganda inculcada em todos os meios de comunicação. Pensem em quantas separações, quantos conflitos matrimoniais existem por conta dessa propaganda nefasta, onde o homem é sempre o culpado, é sempre o alvo do ódio incontido de mulheres que tiveram uma verdadeira lavagem cerebral em relação ao trato com o sexo oposto. O reflexo nós vemos na conturbada sociedade moderna, onde perdem-se todas as referências que sustentavam a família e a própria convivência social

Onde entram os partidos de esquerda nessa equação?

Os partidos de esquerda são os principais propagadores e consumadores dessas revoluções. Quando o cristão vota num partido de esquerda que tem como programa de governo o apoio a todas essas políticas de destruição da família, eles estão voltando-se na prática contra o projeto do criador, ou contra Ele próprio. É como disse o Papa Bento XVI: 


Este excelente vídeo abaixo é uma ótima introdução para o que estamos demonstrando neste artigo: explica o fenômeno do marxismo cultural, a sua predominância em todos os ambientes (incluindo o acadêmico), o politicamente correto e de como tudo isso se encaixa para formar um pacote que explica bem o mundo em que vivemos. E tudo isso em apenas 7 minutos!


Abaixo temos o documentário “a agenda”, que mostra de forma completa (por isso o vídeo é mais longo) como o esquerdismo age para destruir a base da sociedade, bem como o cristianismo. Apesar do documentário ser muito voltado para a realidade americana, todos os conceitos usados pela esquerda para derrotar os EUA estão sendo empregados em ritmo acelerado na América do Sul, especialmente no Brasil, Argentina, Venezuela e Bolívia. Fomos a sede do famoso Foro de São Paulo, muito bem documentado pelo filósofo Olavo de Carvalho, onde um grupo de líderes de esquerda (que incluiu representantes das FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) discutiram à exaustão em 1990 as formas de dominar a região e implementar a agenda socialista. Assim como os esquerdistas americanos conspiraram e ainda conspiram para derrubar os Estados Unidos, os "camaradas" destas bandas usam todos os "movimentos sociais" (ou os "ismos") para dividir a sociedade e conquistá-la definitivamente para a implantação dos ideais marxistas, sendo a efetivação do comunismo a última fase do plano diabólico.




O politicamente correto é outro instrumento da revolução cultural

Conforme já visto no primeiro vídeo acerca do marxismo cultural, o politicamente correto entra como instrumento da revolução cultural como forma de destruir a família e a ordem estabelecida, de maneira a criar uma nova mentalidade, a mentalidade “revolucionária”. Este outro documentário relativamente curto mostra as origens e a intenção do pensamento politicamente correto:



Olavo de Carvalho explica o cenário da Nova Ordem Mundial


Este é talvez o melhor vídeo de Olavo de Carvalho disponível na internet. Aqui ele explica os detalhes das teias de influência e quem está ditando as agendas do mundo. É um excelente complemento aos três vídeos anteriores.





O que o cristão pode fazer na prática?

O cristão não deve ficar calado. Deve ser corajoso e anunciar a sua fé, bem como as razões para ela. Também deve participar ativamente na vida política de sua nação, votando em partidos que não coadunem com a revolução gramsciana. Deve, também “colocar a boca no trombone”, com o fim de evitar o avanço do inferno no plano terreno o tanto quanto possível. Calar-se e/ou ficar temeroso de perder amigos é um verdadeiro pecado nesse cenário que vivemos. O nome desse pecado é “respeito humano”.

Por isso, abra a sua boca. Fale o que você pensa. Nós somos a maioria, mas estamos ficando para trás por conta da nossa inércia. Não se intimide com o politicamente correto, que nada mais é do que outro instrumento do marxismo cultural que visa deixar as pessoas com vergonha de suas convicções, para com isso fortalecer as minorias barulhentas e virulentas. A sua omissão e silêncio é tudo o que eles querem para transformar este mundo num lugar inóspito, onde o cristianismo voltará aos seus primórdios: a perseguição mortal e fábrica de mártires. 

Você quer isto para o seu futuro? Você quer reunir-se em seus locais de culto como faz hoje até o fim de sua vida? Quer que seus filhos possam cultuar a Deus de forma saudável e sem temor? Se sua resposta for SIM a essas perguntas, é melhor levantar da sua cadeira, retirar o tampão da sua boca e começar a agir. Os inimigos do evangelho não perdem tempo, e seria muito bom que você também não perdesse o seu.

Não faça como sapo que é colocado na armadilha da panela fria e que lentamente é cozido pelo seu inimigo. Você tem percepção suficiente para saber o que está acontecendo e saltar da panela o quanto antes.

domingo, 17 de novembro de 2013

Os seis estilos ou arquétipos dos processos decisórios de TI

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Ao lermos o modelo teórico dos arquétipos decisórios de Weill e Ross percebemos que eles variam basicamente de estruturas altamente centralizadas a muito descentralizadas.  Contudo, verificamos também que o processo decisório empresarial envolvendo TI não é algo estático, amarrado. Não é raro verificar que as organizações se utilizam de modelos diferentes para cada tipo de decisão a ser tomada, ou até mesmo uma combinação de tais estilos. Vejamos quais são esses estilos, as vantagens e desvantagens de cada um deles:

1 - Monarquia de negócio:

Esse é um modelo decisório mais centralizado. Nele verificamos que os altos gerentes são os que tomam as decisões – inclusive as de TI – e que vão afetar o negócio como um todo. Contudo, como a área de Tecnologia é extremamente técnica, é de se esperar a colaboração direta do CIO e alguns de seus colaboradores diretos, bem como de outras áreas chave da empresa, como a de orçamento, por exemplo, em vista de envolver, muitas vezes, custos elevados.

1.1  - Vantagens:  Nesse modelo, a empresa é vista de uma forma mais holística, tendo em vista que os altos executivos tendem a enxergar não somente a área de TI, mas as implicações na adoção de uma determinada tecnologia para toda a empresa. Não existirão muitas barreiras para sua implementação, pois ela vem de “cima para baixo”.
1.2  Desvantagens: Se não houver a colaboração do CIO e outras pessoas técnicas, a decisão pode ser influenciada por aspectos meramente políticos ou correm o risco de serem pouco embasadas tecnicamente. Outro aspecto relevante é a baixa participação do nível operacional na adoção de estratégias que afetam diretamente a base da pirâmide, levando a baixo comprometimento e podendo levar ao insucesso da empreitada. 
2 – Monarquia de TI:

Nesse modelo são os executivos de TI que tomam as decisões atinentes à área de tecnologia. Como a área é extremamente técnica, os altos executivos confiam ao CIO e seus colaboradores a condução do processo decisório de TI, ou, pode tratar-se meramente de uma decisão interna que não chegará ao nível dos altos executivos (ex: adoção de um determinado software ou arquitetura de desenvolvimento). Nesse modelo, o CIO goza de um bom nível de influência com os altos executivos e tem liberdade de tomar as decisões. Geralmente elas estarão alinhadas ao planejamento estratégico empresarial, onde o gestor de TI pode ter tido participação ativa na sua elaboração.

1.1   Vantagens: As decisões são tomadas de forma mais rápida e são facilmente adotadas, por não haver muita possibilidade de haver resistência por parte da alta cúpula de TI. Além disso, haverá pouca interferência externa, o que dará à área de tecnologia liberdade na condução do processo decisório.
1.2  Desvantagens: Se o CIO não se alinhar com o planejamento estratégico da empresa, suas decisões poderão ser revisadas pelos altos executivos.
3 – Feudal:

Nesse modelo, bem descentralizado, cada unidade de negócio toma sua própria decisão e de forma independente. É um modelo baseado nas tradições da Inglaterra feudal, onde tínhamos a figura dos príncipes e princesas ou cavaleiros escolhidos que tomavam suas decisões baseando-se em suas necessidades locais.

3.1 Vantagens: Como o poder decisório está mais próximo, as decisões tendem a ser mais facilmente aceitas e a endereçar às necessidades de cada local, trazendo maior apoio e satisfação por parte da equipe envolvida.

3.2 Desvantagens: Dificulta a tomada de decisão da empresa como um todo, e pode gerar uma “colcha de retalhos”, onde cada unidade local “remenda” seu pedaço e a peça final resultante tem pouca padronização.

4 – Federal

Combinação dos modelos feudal com monarquia de negócio, podendo contar com o envolvimento do pessoal de TI. É um modelo tradicional na área de governo, onde se tende a equilibrar responsabilidades e cobranças entre múltiplos órgãos, como o país e os estados, por exemplo.  Os representantes do modelo podem ser os líderes regionais ou os detentores dos processos de negócios. Podem contar com o pessoal de TI para auxiliar como participantes adicionais ao processo.

4.1 – Vantagens: Por ser um modelo onde há participação de todos os envolvidos no processo, pode incluir os interesses do centro do poder como também das unidades federadas, aumentando o nível de satisfação de todos e melhorando os resultados obtidos.

4.2 – Desvantagens: É um modelo de difícil implementação, tendo em vista a disparidade de interesses entre os líderes empresariais dos líderes das unidades regionais. Além disso, as unidades maiores podem ter seus interesses mais acolhidos, por conta de seu maior poder de barganha, deixando as unidades menores insatisfeitas no processo decisório e provocando uma ruptura entre os envolvidos. Para diminuir e resolver os conflitos, é necessária a criação de um comitê executivo.

5 – Dupla Polaridade de TI

Uma espécie de duopólio entre o gestor de TI e o gestor de outra área, é muito comum em decisões que envolvem arquitetura e infraestrutura. Uma parte clara neste modelo é que a área de TI sempre é uma das áreas envolvidas no arranjo bilateral.

5.1 – Vantagens: Como o processo decisório sempre envolverá a área de TI como uma das partes no arranjo, as decisões tendem a ser mais técnicas e mais embasadas, por conta da presença garantida do CIO e seus colaboradores.

5.2 – Desvantagens: Como pode não envolver a alta administração, as decisões no modelo de dupla polaridade de TI podem não refletir tão bem os interesses institucionais, mas meramente os interesses dos envolvidos no arranjo.

6 - Anarquia

Nesse modelo as decisões de TI são tomadas de forma individual ou por pequenos grupos isolados e geralmente consideram somente suas necessidades locais. É um modelo que dificilmente é sancionado pela alta administração, e ocorre em processos mais próximos do nível operacional.

6.1 – Vantagens: Se é que podemos abordar uma vantagem do modelo, falaremos da rapidez que as decisões são tomadas, independentemente de estarem corretas ou não.

6.1 – Desvantagens: As desvantagens desse modelo são muitas: ele depende muito da “intuição” do indivíduo ou do pequeno grupo envolvido na decisão e ela pode estar totalmente desalinhada com os objetivos da área de TI ou até mesmo institucionais. Também é um modelo oneroso de se sustentar e preservar.

Referências:

  •  Artigo: Entendendo a Governança de TI - Novas Direções para a Administração Pública Fabio Perez Marzullo1; Carlos Henrique A. Moreira2; José Roberto Blaschek (1 Autor do artigo, 2 e 3 Co-autores do artigo)
  • Artigo: Seminário de governança de TI da Unicamp