segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Maria, onde está você na Bíblia?

Dia desses eu estava vendo algumas postagens na internet e deparei-me com esta pérola. Era a imagem abaixo, da qual irei tecer algumas breves considerações.


A PRETENSÃO

A pergunta capciosa e pretensiosa parece dar aquela munição para o “crente” detonar a fé católica. Mas, mal sabem eles que a associação feita sequer é cabível, muito menos convincente para qualquer pessoa mais versada na fé. Por que posso afirmar isso? Tenho boas razões para fazê-lo, e tratarei de demonstrar um pouco delas nestas breves linhas, que estão longe de encerrar o assunto, devendo ser consideradas como uma pequena e breve introdução ao papel de Maria na economia da salvação do homem, bem como de refutação a essa balela iconoclasta.

MAS, OBJETIVAMENTE, ONDE ESTÁ MARIA NA BÍBLIA?


Se buscarmos o suficiente, veremos a mãe de Jesus de forma muito clara na Bíblia. Ela está em vários lugares, mas evidentemente não tanto quanto o seu filho, que é o próprio tema da Sagrada Escritura do Gênesis ao Apocalipse. Contudo, ela aparece sim em muitos lugares de forma modesta, mas ao mesmo tempo marcante, inclusive em lugares que os evangélicos comuns veem e não a reconhecem.


Esta é, sem dúvida alguma, uma das passagens mais profundas da Sagrada Escritura acerca da importância dessa mulher para a própria redenção humana. Não estou com isso dizendo que ela é salvadora. Longe de mim tal assertiva! Contudo, restam claras algumas coisas neste curto e expressivo texto: primeiro, a simples saudação de Maria fez com que sua prima, Santa Isabel, ficasse cheia do Espírito Santo. A própria criança (João Batista) estremece no seio da mãe ao ouvir, mesmo do ventre, a voz da mãe do Salvador. Vemos aí claramente o seu perfeito casamento santo com a terceira pessoa da Santíssima Trindade: quando alguém a ouve, fica “cheia do Espírito Santo”. Segundo, e ainda mais interessante, é nesta passagem que vemos na Bíblia Maria ser chamada de “Mãe do Senhor”, título este muito claro mesmo a quem não é um teólogo.

Outras passagens indicam claramente a importância dessa “mulher”, a mesma que foi profetizada junto com o seu filho em Gênesis 3, 15, incidentalmente a primeira profecia da Sagrada Escritura. Aliás, não foi à toa que Jesus por diversas vezes chamou sua própria mãe de “mulher”, título dado a ela desde o início na Bíblia.

SUA PRESENÇA NO PRIMEIRO MILAGRE DE JESUS

Estava o Senhor numa festa de casamento, em Caná da Galileia. Ele não estava pronto para começar o seu ministério, muito menos fazer qualquer milagre. Isso fica evidente nas suas palavras:

...ainda não é chegada a minha hora.” (João 2, 4)

No entanto, ao perceber que sua mãe intercedeu pelo casal que estava para ficar sem vinho em suas bodas, Nosso Senhor antecipa o momento de executar o seu primeiro milagre. E Maria, ao invés de chamar para si as honras de ter inclinado o seu filho a atender aquele casal aflito, apenas se limita a dizer “fazei tudo o quanto ele vos disser” (João 2, 5). Maria conduziu o destino daquele casal a Jesus, dirigiu a honra para Jesus, e ela continua fazendo isto até os dias hoje!

Depois deste milagre, muitos creram em Jesus, e ao descer a Cafarnaum, lá estava a “sua mãe” junto ao mestre.

Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele. Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.” (João 2, 11-12)

SUA PRESENÇA NA CRUCIFICAÇÃO E MORTE DO NOSSO SENHOR

Maria esteve com Jesus em seu nascimento, educou-o e criou-o por décadas, e na sua morte cruenta lá estava ela ao seu lado:

E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa (João 19:25-27)

SUA PRESENÇA NA DESCIDA DO ESPÍRITO SANTO

Como já vimos até aqui, Maria esteve presente em todos os momentos, da encarnação até a morte do seu filho Jesus Cristo na terra. Contudo, sua relação estreita com o Espírito Santo é evidenciada quando da sua descida do céu, em Pentecostes, no ano 33 da nossa Era Comum:

Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele... Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.” (Atos 1,14 e 2, 1 e 2)

SUA PRESENÇA NO CÉU

Maria aparece também claramente no Apocalipse, e com uma função especialíssima na Igreja: a de ajuntar os filhos de Jesus.

Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono. A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias.” (Apocalipse 12, 1-6)

As referências dessa passagem são muito claras: a mulher (Maria) que dá a luz a um filho, um menino, que iria reger as nações com um cetro de ferro (Jesus). Assim a entenderam os pais da Igreja e assim entende qualquer um cujo véu está retirado dos olhos. Mas, embora as referências sejam claras, alguns insistem em dizer que a passagem se refere somente à Igreja. Embora seja uma aplicação cuja associação alguns pais também fizeram, a passagem tem um duplo sentido: o claro, o óbvio, e o mais velado. A mulher é Maria. Isso fica evidente quando o próprio Jesus chamou sua mãe por diversas vezes de “mulher”, associando-a inevitavelmente àquela figura que foi profetizada nas Sagradas Escrituras. Mas a Igreja também pode ser uma figura dessa mulher, pois ela “dá a luz” aos cristãos de todos os tempos e lugares. A aplicação velada não substitui a óbvia. Ambas são válidas.

Contudo, o texto continua:

O Dragão, vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino. Mas à Mulher foram dadas duas asas de grande águia, a fim de voar para o deserto, para o lugar de seu retiro, onde é alimentada por um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, fora do alcance da cabeça da Serpente. A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara. Este, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.” (Apocalipse 2, 13-17)

Fica clara a função da mulher e que o dragão (uma referência ao demônio) perseguiria a sua descendência (os cristãos) e todos aqueles que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus (a Igreja). Ora, como a “mulher” seria somente a Igreja se o dragão vai perseguir a descendência da mulher e dos que guardam os mandamentos de Deus? A mulher e os seus descendentes (a igreja) são claramente dois personagens distintos. A interpretação mais clara é que a mulher é Maria e sua descendência é a Igreja.

SUA PRESENÇA NO ANTIGO TESTAMENTO

Maria não está apenas nas passagens óbvias do Novo Testamento. Ela também está profetizada nos Salmos e nos outros profetas do Antigo Testamento. Vejamos alguns exemplos.

O próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que a virgem conceberá e dará a luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel” (Isaías 7, 14)

O profeta Isaías viu a virgem [Maria] concebendo, dando luz a um filho e dando a ele o nome de Emanuel, que significa “Deus conosco”.

Porei ódio entre ti [a serpente] e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3, 15)

Esta é a primeira profecia da Bíblia. Nela está implícita a mulher que é revelada nos evangelhos e no Apocalipse, com toda a inimizade que haveria entre ela e a serpente original, Satanás, o Diabo.

A FIGURA DA RAINHA-MÃE NO ANTIGO ISRAEL MONÁRQUICO

O reino de Deus é uma monarquia, assim como era no antigo Israel. A mãe do rei gozava de um status elevado, e levava o título de gebirah, que significa “a grande dama”. Essa figura existiu na monarquia Israelita de forma contínua. Começa com Salomão, que reina com sua mãe, Betsabá, sempre à sua direita no trono, e segue até Neústa, mãe do rei Joaquim, que foi deportado para a Babilônia juntamente com ela quando da queda de Jerusalém para a Babilônia (2 Rs 24, 15 e Jr 13, 18). A mãe do rei tinha mais destaque que as suas esposas, e exercia um papel importante na monarquia real.

Sabemos que tudo o que vemos no Antigo Testamento é uma figura do Novo. Essa tipificação da Rainha-Mãe não é por acidente. Ela é uma figura da Rainha-Mãe dos cristãos.

Então Betsabá foi ao rei Salomão para lhe falar sobre Adonias. O rei se levantou para recebe-la e se inclinou diante dela. Depois se assentou no trono, mandou trazer um trono para a sua mãe, e Betsabá se sentou à sua direita. Tenho um pequeno pedido a fazer-te, disse ela; não mo recuses. Pede, minha mãe, respondeu o rei, porque nada te recusarei.” (1 Rs 2, 19-20)

Sobre esse texto o ex-pastor protestante Scott Hahn comenta:

Essa curta passagem nos traz considerações implícitas sobre o protocolo e o poder de estrutura da corte de Israel. Inicialmente, vemos que a Rainha-Mãe se aproxima do seu filho a fim de falar-lhe em nome de outra pessoa. Isso nos confirma o que já sabemos sobre as rainhas-mães nas outras culturas do Oriente Médio... Em seguida, percebe-se que Salomão se levantou do seu trono quando sua mãe entrou no recinto. Isso dá um destaque ao assunto sobre o qual a Rainha-Mãe queria tratar com o rei. Qualquer outra pessoa que viesse à presença do rei deveria seguir o protocolo, mesmo suas mulheres deveriam curvar-se diante dele (1 Rs 1, 16). Contudo, Salomão se levanta para honrar Betsabá, mostrando mais respeito por ela ao curvar-se e lhe dar o lugar de maior honra, ao seu lado direito. Sem dúvida, esse episódio descreve um ritual da corte no tempo de Salomão, um ritual que expressa um relacionamento real. O que nos dizem as atitudes do rei Salomão quanto ao relacionamento com sua mãe? Inicialmente, seu poder e autoridade não são, de forma alguma, ameaçados por ela. Ele se curva para ela, mas continua sendo rei. Ela senta-se à sua direita e não ao contrário. É evidente, no entanto, que ele vai honrar seus pedidos não devido a alguma obrigação legal de obediência, mas, sim, por amor filial. Até o momento dessa cena em particular, Salomão tinha claramente um histórico de ceder aos desejos de sua mãe. Quando Adonias primeiro se aproxima de Betsabá para solicitar sua intercessão, ele diz: ‘Peça ao Rei Salomão; ele não vai lhe recusar’. Embora Salomão seja superior a Betsabá, na ordem da natureza do pedido e do protocolo ele permanece sendo o seu filho...Como o primeiro sucessor de Davi reinou ao lado de sua Rainha-Mãe, assim também o faria o seu último e eterno sucessor(Scott Hahn, em seu livro “Salve, Santa Rainha”, pags. 67-68)

A tipificação da figura da Rainha-Mãe no reinado do antigo Israel frente à nova monarquia divina e seus paralelos nos textos do Novo Testamento é muito clara para ser ignorada.

E A IDOLATRIA ÀS SUAS IMAGENS, NÃO ESTÃO PROIBIDAS NOS DEZ MANDAMENTOS?

É fato que responder a esta pergunta demandaria praticamente um outro artigo completo, mas tentarei endereçar a questão da forma mais direta possível. Deus verdadeiramente proibiu a idolatria, principalmente naquele contexto em que vivia a nação de Israel, cercada por outras nações que adoravam deuses falsos e que os representavam através dos seus ídolos feitos com ouro, madeira ou pedra. Por isso Deus foi radical:

Não terás outros deuses diante de minha face. Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto.” (Êxodo 20, 3-5)

Os nossos irmãos separados (protestantes) entendem neste (e em outros versículos) que Deus estaria proibindo qualquer representação em imagens. Veja, contudo, que sua aplicação, se levada à cabo por eles acabaria por inviabilizar a própria vida moderna: não poderíamos ter esculturas de espécie alguma, as fotos seriam proibidas, a sétima arte idem, pois a proibição foi clara; não poderíamos fazer “figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra”. Imagine um mundo em que uma simples revista cheia de fotos seria um pecado mortal, ou um cônjuge que leve uma foto de sua família na carteira sendo taxado de “idólatra”. É esse o extremismo que deveria prevalecer, caso os argumentos dos iconoclastas prosperasse. Contudo, a Bíblia não pode ser interpretada em versos separados do seu contexto histórico, cultural e temporal, muito menos por versículos isolados. É preciso ver o todo. E o que esse todo nos diz?

Primeiramente, que Deus mandou confeccionar imagens de escultura no próprio Velho Testamento. Sim, vejamos:

Farás também uma tampa de ouro puro, cujo comprimento será de dois côvados e meio, e a largura de um côvado e meio. Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro, fixando-os de modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa. Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto, e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada. Colocarás a tampa sobre a arca e porás dentro da arca o testemunho que eu te der. Ali virei ter contigo, e é de cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens para os israelitas.” (Êxodo 25, 17-22)

Fez dois querubins de ouro, feitos de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado, outro de outro, de maneira que faziam corpo com as duas extremidades da tampa. Esses querubins, com as faces voltadas um para o outro, tinham as asas estendidas para o alto, e protegiam com elas a tampa para a qual tinham as faces inclinadas.” (Êxodo 37, 7-9)

e o Senhor disse a Moisés: 'Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.'. Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida.” (Números 21, 7-9)

Outros textos para consulta: Êxodo 41,18, 1 Reis 6,23-29.32; 7,26-29.36; 8,7, 1 Crônicas 28,18-19, 2 Crônicas 3,7,10-14; 5,8, 1 Samuel 4,4.

Fica evidente que a aplicação da chamada “idolatria” não pode ser a que a dão os protestantes. Do contrário, Deus seria incoerente (e sabemos que Ele não é!). Como Ele mandaria proibir uma coisa e logo em seguida mandar fazer exatamente o contrário do que Ele havia ordenado? Das duas uma: ou Deus é confuso ou é a interpretação protestante que está errada. Como bom fiel que sou, a segunda opção é que é a única viável: a interpretação protestante está errada!

O que seria então a idolatria? Seria exatamente o que a palavra quer dizer: a junção das palavras εἴδωλον (Eidolon - Simulacro), que indica um objeto de adoração em matéria de realidades espirituais e λατρεια (latria – adoração). Ou seja: idolatria é a adoração de deuses falsos. E isso não pode, sob nenhum aspecto ser comparado à veneração dos católicos aos seus santos, especialmente a Maria, pois para nós os santos não são “deuses”: muito pelo contrário, são servos do único e verdadeiro Deus, o único que merece a adoração. Ainda, não são personagens falsos, mas são pessoas históricas que pertenceram (e ainda pertencem) à Igreja, que viveram o exemplo cristão no seu ápice, e que servem como um modelo a ser imitado.

Para os católicos a honra (dúlia) prestada aos seus santos não se confunde com a adoração (latria) devida única e exclusivamente a Deus. Isso já era bem evidente no tempo de Santo Atanásio, que no século IV já dizia de maneira absolutamente clara (quando já havia o falso discurso de “idolatria” contra os cristãos):


No demais, esse ponto está mais do que refutada neste vídeo de apenas 14 minutos, o qual referencio para uma elucidação mais embasada acerca da razão pela qual não se pode afirmar que as imagens dos santos é uma idolatria.


Enfim, não irei me alongar na refutação a esse ponto em específico, já bem elucidado no vídeo acima, mas é evidente que a Igreja Católica não suporta a idolatria tal qual nossos irmãos separados costumam nos acusar. Falta-lhes uma visão histórica mais apropriada para fazer um julgamento mais salutar daquilo que a Igreja sempre fez. Fica claro também que Maria está na Bíblia em diversos lugares, e que tem uma posição muito mais relevante do que muitos protestantes podem pensar.

ENTÃO, COMO RESPONDERÍAMOS À PERGUNTA DA GRAVURA QUE ENCABEÇA ESTE TEXTO?

Eu Responderia: ela está em Lucas 1, 48, quando nos é dito que “todas as gerações” a chamariam de “bem aventurada”. Ela está em João 19, 26-27, quando Jesus entrega-a a João e simbolicamente a toda a humanidade dizendo “eis aí a tua mãe”. Ela está em Atos 1, 14 “perseverando na oração”. Ela está em Gênesis 3, 15 como a “mulher” que teria inimizade perpétua com a serpente maligna. Ela está também em Apocalipse 12 como a mesma “mulher revestida de sol, com a lua debaixo de seus pés e uma coroa de doze estrelas”. Ela está em Isaías 7, 14 como a “virgem” que “conceberá e dará a luz um filho”. Ela está em 1 Reis 2, 19-20 como a Rainha-Mãe a quem apetece ao rei atender-lhe os rogos, e em tantos outros lugares, escondida nos tesouros das Sagradas Escrituras. Mas ela está, sobretudo, em todos os registros que a Igreja conserva há mais de 2.000 anos: nos escritos dos pais apostólicos, na liturgia deixada pelos apóstolos, nas catacumbas dos cristãos perseguidos nos primeiros séculos do cristianismo, bem como no magistério infalível da Igreja cujas “portas do inferno não prevalecerão” e que é a “coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3, 15).

PARA SABER MAIS:

  • Salve, Santa Rainha / Scott Walker Hahn, 2ª Edição. Editora Cleofás, 2015 (a venda neste link);
  • BALTHASAR, Hans Urs von; RATZINGER, Joseph Aloisius. Maria a primeira Igreja. Gráfica de Coimbra, 2004. p.59-78 (acessível neste link no site "Apologistas Católicos")

domingo, 8 de junho de 2014

Cristãos: os novos sapos cozidos?

Penso que você já deve ter ouvido falar daquela técnica de matar de forma eficaz um sapo na panela. Se você retirar o animal de seu ambiente e jogá-lo numa panela quente, ele saltará imediatamente dela – devido à natural contração muscular causada pelo choque térmico – e fugirá para longe. Isso não acontece se ele for retirado gentilmente do seu habitat e colocado numa panela com água fria. Ligue-a no fogão e o sapo ficará nela, feliz da vida, até morrer cozido.

Os cristãos parecem obedecer à lógica do sapo na panela. O mundo é revirado, suas crenças são pilhadas, a base ocidental lentamente destruída, alguns milhares já começam a ser martirizados do outro lado do mundo e por essas bandas do atlântico eles continuam louvando a Deus como se nada estivesse acontecendo. 

Entretanto, não somos sapos: somos seres dotados de inteligência dada do alto para discernirmos os tempos e as estações, sabendo conhecer o inimigo e principalmente como agir diante das tormentas do mundo moderno. Isso também inclui ter uma noção clara da atitude correta diante das ameaças feitas de forma direta ou velada à nossa fé e cultura.

Os cristãos “sapos cozidos” agem de forma irresponsável e passiva diante das transformações do mundo, lavando as suas mãos como Pôncio Pilatos fez no julgamento de Jesus, na ilusão de eximirem-se da sua responsabilidade como cidadãos e como cristãos. 

“Não devemos misturar política com religião”

Esse é o erro mais comum cometido pelos cristãos anfíbios que adoram uma panela fria. Os tais parecem esquecer que, embora o reino de Deus não seja deste mundo, ainda vivemos nele, e como tais temos o direito de usar de forma ostensiva a nossa cidadania. Foi o que fez São Paulo, que quando ameaçado de ser açoitado injustamente apelou para esse aspecto político.

Quando estavam a amarrar Paulo para o açoitar, este disse a um oficial que se encontrava perto: ‘Será legal chicotear um cidadão romano que nem sequer foi julgado?’ O oficial falou com o comandante e avisou-­o: ‘Veja lá o que vai fazer! Trata-­se de um cidadão romano’! O comandante foi ter com Paulo e perguntou­-lhe: ‘Diz-­me, és cidadão romano?’ – ‘Sou, sim’, respondeu Paulo. ‘Também eu’, murmurou o comandante, ‘e esse direito custou-­me muito dinheiro!’. ‘Mas eu sou cidadão romano por nascimento!’. Os soldados que se preparavam para interrogar Paulo foram-­se logo embora quando souberam que era um cidadão romano, e o próprio comandante ficou assustado por ter mandado que o amarassem e açoitassem.” (Atos dos Apóstolos 22, 25-29)

Vemos que Paulo usou sua cidadania para defender-se dos algozes, o que implica dizer, necessariamente, que usou seus direitos de forma ativa contra uma injustiça. E um pouco mais à frente, usa todo o seu conhecimento para retrucar até mesmo o Sumo-Sacerdote judeu.

Logo Ananias, o supremo sacerdote, mandou aos que se encontravam junto de Paulo que lhe batessem na boca. Paulo disse-lhe então: ‘Deus o castigará a si, hipócrita! Que espécie de juiz é o senhor, que viola a lei ordenando que me batam?’” (Atos dos Apóstolos 23, 2-3)

Jesus também mostrou que devemos dar “a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21). Ele não disse: “Deem a Deus o que é de Deus e calem-se nas coisas de César”. 

Com esses exemplos, vemos que é lícito ao cristão usar a sua cidadania – e isso inclui o voto – para manifestar-se e cobrar das autoridades o estrito respeito às leis e direitos vigentes. Essa atitude é importantíssima para que não retirem do arcabouço legal os princípios ocidentais (e cristãos) que nos custaram tão caro ao longo dos séculos e que hoje desfrutarmos de maneira privilegiada. 

O marxismo cultural tem por alvo destruir a família – a base da sociedade instituída por Deus

Outra ingenuidade sem tamanho de muitos cristãos (quando não se trata de mau-caratismo mesmo) é apoiar os movimentos baseados no marxismo cultural de Antônio Gramsci, membro da chamada Escola de Frankfurt, que traçou uma nova estratégia para pôr em prática as ideias satânicas de Marx e Engels: a guerra revolucionária não funcionou pelas armas, sendo necessário então corroer o ocidente por dentro, numa “revolução cultural”, onde todos os seus valores mais caros seriam lentamente corrompidos, até que não restasse mais nada dessa cultura e onde os seus filhos fossem propriedade do estado, e não mais das famílias.  Vamos convir, eles estão conseguindo o seu intento muito bem e muitos “cristãos” estão apoiando e aplaudindo tais mudanças! O cenário é muito parecido com o retratado por George Orwell em seu célebre 1984 – o grande irmão (que representa a figura de um líder estatal populista e inerrante) é o dono das consciências e de todos os cidadãos, inclusive das crianças. 

Vejamos então o que Marx e Engels pensavam a respeito da instituição família:

...fundada sob a dominação do homem com o fim expresso de procriar filhos duma paternidade incontestável, e essa paternidade é exigida porque essas crianças devem, na qualidade de herdeiros diretos, entrar um dia na posse da fortuna paterna.” (Marx e Engels, em “A origem da Família, da propriedade privada e do Estado”)

Eles também eram contra a monogamia, e a viam como uma forma de “opressão” do homem para com a mulher:

primeira luta de classes que aparece na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher no casamento monogâmico, e a primeira opressão de classe coincide com a submissão do sexo feminino pelo masculino.” (Marx e Engels, em “A origem da Família, da propriedade privada e do Estado”, pg. 23)

Mais a frente Engels diz ainda:

"A certidão da paternidade repousa, antes e depois (...) na convicção moral, e, para resolver a insolúvel contradição, o código de Napoleão decreta, art. 312: ‘A criança concebida durante o casamento tem por pai o marido’. Eis aí o último resultado de três mil anos de monogamia"

O Padre Paulo Ricardo resume bem o cerne do pensamento marxista a respeito da família: 

Para o marxismo, a origem das desigualdades sociais é a família, e a primeira propriedade privada que existiu não foi uma cerca, mas sim, a mulher. O homem toma posse da mulher, domina-a e este conceito de família patriarcal, em que o macho é o proprietário da mulher e dos filhos é o da família burguesa, portanto, deve ser destruída. Eles afirmam que não haverá igualdade social enquanto subsistir a família, pois é a raiz de todas as opressões, portanto, os papéis tradicionais de pai, mãe, esposo, esposa, pais e filhos, todos eles devem ser abolidos, posto que opressores.” (Padre Paulo Ricardo em “A Família no Centro da Política”)

O esquerdismo atual encampa a luta contra essa instituição “opressora” chamada família

O esquerdismo é o veículo da atual revolução, que não se dá pelas armas, mas pelo aspecto cultural, obedecendo ao velho conceito pregado por Antônio Gramsci lá nos idos dos anos 30. Para atingir o objetivo eles usam todas as ideologias em vigor para alcançar o seu objetivo final, dos quais destaco o feminismo - incluindo a luta pelo “direito” ao aborto, também denominado de abortismo - e o gayzismo, no intuito de figurarem como os principais instrumentos para a desconstrução da chamada sociedade judaico-cristã.


Maiores detalhes sobre a metodologia de Antonio Gramsci para a revolução cultural, clique aqui.


As esquerdas acusam constantemente as “elites” de perpetuar as “injustiças” e a “opressão” para com o proletariado (aliás, quando você ouvir a palavra “opressão”, é bom desconfiar seriamente que está lidando com alguém que foi infectado de forma severa pela doença esquerdista). Estranhamente, os principais financiadores desses movimentos são justamente os grupos que dominam todo o capital financeiro especulativo.

O Padre Paulo Ricardo fala desse fenômeno chamado "Marxismo Cultural" e o seu intento de destruir a família:




Quem financia o feminismo e o abortismo?

Somente no ano de 2013 a Fundação Ford doou mais U$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil dólares americanos) para organizações feministas. 

A fundação MacArthur também faz doações gordas para diversas organizações feministas/gayzistas/abortistas:

  • Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA);
  • Cunhã—Coletivo Feminista;
  • Fala Preta—Organização de Mulheres Negras;
  • Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos;
  • Themis—Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero;
  • Programa de Apoio ao Pai (PAPAI);
  • Casa de Cultura da Mulher Negra;
  • Católicas pelo Direito de Decidir; 
  • Dentre outras inúmeras ONG's que carregam em seus discursos a ideologia feminista.

Aqui vemos um relatório da Fundação Ford dos anos 90 mostrando claramente que dentre os objetivos da entidade estão o fortalecimento do feminismo e a legalização do aborto: 

Aqui um relatório da MacArthur que comprova o financiamento de projetos e ONG's pró-aborto e feminismo: 


Por que as verdadeiras elites financiam o feminismo e o abortismo?

Décadas atrás o magnata do petróleo John Rockefeller III se preocupava com a taxa de crescimento populacional no mundo. Para conter esta taxa, além de financiar diversos métodos médicos para evitar a gravidez, Rockefeller também financiava o aborto e sua legalização em diversos países. 

Por volta dos anos 70, Rockefeller teve contato com Adrienne Germain, uma socióloga que o convenceu que ele poderia utilizar uma estratégia mais eficiente para conter o crescimento populacional mundial.

A nova estratégia proposta por Adrienne não seria apenas utilizar métodos médicos, mas também utilizar a engenharia social e a cultura como meio para conter o aumento da população. 

Juntamente com esta cientista social que então trabalhava na Fundação Ford, Rockefeller resolveu introduzir o conceito de emancipação da mulher e dos direitos sexuais e reprodutivos. Com isso, a Fundação Ford e as Organizações Rockefeller passaram a financiar ativamente as redes de ONGs feministas.

É nesse prisma que vemos a razão por trás dessas organizações financiarem campanhas para influenciar as mulheres a terem ojeriza à gravidez a à própria família. O objetivo é arrancar da mulher o sonho de ser mãe e introduzir o sonho de ser bem-sucedida no trabalho. Até o movimento que vemos de muitas mulheres adotando animais no lugar de crianças tem o dedo dessas fundações. Tudo como pano de fundo para diminuir a taxa de aumento populacional, o verdadeiro pesadelo da verdadeira elite mundial que se esconde por trás do anonimato. No vídeo abaixo, Aaron Russo conta os planos que estavam por trás das intenções da família Rockefeller ao financiar o movimento feminista.



Qual o resultado do feminismo na mente das mulheres  e quais as consequências sociais desse movimento ?

O feminismo instiga o ódio entre os gêneros, exatamente como é feito nas lutas das diversas classes (sociais, de preferência sexual, de raça ou de qualquer outra coisa). O marxismo cultural vive exatamente do eterno conflito dos diversos segmentos com o objetivo de desmantelar a sociedade e viabilizar a utopia socialista/comunista, onde o estado é o senhor absoluto das nossas vidas.

Veja o resultado do pensamento feminista conforme expresso por suas próprias líderes:

"Homens que são acusados injustamente de estupro podem, às vezes, aprender com essa experiência" (Catherine Comins)

"No patriarcado, todo filho de uma mulher é seu potencial traidor e também inevitavelmente o estuprador ou explorador de outra mulher" (Andrea Dworkin)

"Todo ato sexual, e mesmo o sexo consentido entre um casal no matrimônio, é um ato de violência perpetuado contra a mulher" (Catherine MacKinnon)

"Chamar um homem de animal é elogiá-lo. Homens são máquinas, são pênis que andam" (Valerie Solanos)

"Todos os homens são estupradores, e isso é tudo que eles são" (Marilyn French)

"Quando uma mulher tem um orgasmo com um homem ela está apenas colaborando com o sistema patriarcal, erotizando sua própria opressão" (Sheilla Jeffrys)

"Eu sinto que odiar os homens é um ato político honrado e viável" (Robin Morgan)

"Uma mulher que faz sexo com um homem, o faz contra a sua vontade, mesmo que ela não se sinta forçada" (Judith Levine)

"Quero ver um homem espancado e sangrando, com um salto alto enfiado em sua boca, como uma maçã na boca de um porco" (Andrea Dworkin)

"O homem é um animal doméstico que, se tratado com firmeza, pode ser treinado a fazer algumas coisas" (Jilly Cooper)

Podemos ver o quão doentia é essa ideologia e o quanto ela impacta no comportamento feminino, em maior ou menor grau, por conta da massiva propaganda inculcada em todos os meios de comunicação. Pensem em quantas separações, quantos conflitos matrimoniais existem por conta dessa propaganda nefasta, onde o homem é sempre o culpado, é sempre o alvo do ódio incontido de mulheres que tiveram uma verdadeira lavagem cerebral em relação ao trato com o sexo oposto. O reflexo nós vemos na conturbada sociedade moderna, onde perdem-se todas as referências que sustentavam a família e a própria convivência social

Onde entram os partidos de esquerda nessa equação?

Os partidos de esquerda são os principais propagadores e consumadores dessas revoluções. Quando o cristão vota num partido de esquerda que tem como programa de governo o apoio a todas essas políticas de destruição da família, eles estão voltando-se na prática contra o projeto do criador, ou contra Ele próprio. É como disse o Papa Bento XVI: 


Este excelente vídeo abaixo é uma ótima introdução para o que estamos demonstrando neste artigo: explica o fenômeno do marxismo cultural, a sua predominância em todos os ambientes (incluindo o acadêmico), o politicamente correto e de como tudo isso se encaixa para formar um pacote que explica bem o mundo em que vivemos. E tudo isso em apenas 7 minutos!


Abaixo temos o documentário “a agenda”, que mostra de forma completa (por isso o vídeo é mais longo) como o esquerdismo age para destruir a base da sociedade, bem como o cristianismo. Apesar do documentário ser muito voltado para a realidade americana, todos os conceitos usados pela esquerda para derrotar os EUA estão sendo empregados em ritmo acelerado na América do Sul, especialmente no Brasil, Argentina, Venezuela e Bolívia. Fomos a sede do famoso Foro de São Paulo, muito bem documentado pelo filósofo Olavo de Carvalho, onde um grupo de líderes de esquerda (que incluiu representantes das FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) discutiram à exaustão em 1990 as formas de dominar a região e implementar a agenda socialista. Assim como os esquerdistas americanos conspiraram e ainda conspiram para derrubar os Estados Unidos, os "camaradas" destas bandas usam todos os "movimentos sociais" (ou os "ismos") para dividir a sociedade e conquistá-la definitivamente para a implantação dos ideais marxistas, sendo a efetivação do comunismo a última fase do plano diabólico.




O politicamente correto é outro instrumento da revolução cultural

Conforme já visto no primeiro vídeo acerca do marxismo cultural, o politicamente correto entra como instrumento da revolução cultural como forma de destruir a família e a ordem estabelecida, de maneira a criar uma nova mentalidade, a mentalidade “revolucionária”. Este outro documentário relativamente curto mostra as origens e a intenção do pensamento politicamente correto:



Olavo de Carvalho explica o cenário da Nova Ordem Mundial


Este é talvez o melhor vídeo de Olavo de Carvalho disponível na internet. Aqui ele explica os detalhes das teias de influência e quem está ditando as agendas do mundo. É um excelente complemento aos três vídeos anteriores.





O que o cristão pode fazer na prática?

O cristão não deve ficar calado. Deve ser corajoso e anunciar a sua fé, bem como as razões para ela. Também deve participar ativamente na vida política de sua nação, votando em partidos que não coadunem com a revolução gramsciana. Deve, também “colocar a boca no trombone”, com o fim de evitar o avanço do inferno no plano terreno o tanto quanto possível. Calar-se e/ou ficar temeroso de perder amigos é um verdadeiro pecado nesse cenário que vivemos. O nome desse pecado é “respeito humano”.

Por isso, abra a sua boca. Fale o que você pensa. Nós somos a maioria, mas estamos ficando para trás por conta da nossa inércia. Não se intimide com o politicamente correto, que nada mais é do que outro instrumento do marxismo cultural que visa deixar as pessoas com vergonha de suas convicções, para com isso fortalecer as minorias barulhentas e virulentas. A sua omissão e silêncio é tudo o que eles querem para transformar este mundo num lugar inóspito, onde o cristianismo voltará aos seus primórdios: a perseguição mortal e fábrica de mártires. 

Você quer isto para o seu futuro? Você quer reunir-se em seus locais de culto como faz hoje até o fim de sua vida? Quer que seus filhos possam cultuar a Deus de forma saudável e sem temor? Se sua resposta for SIM a essas perguntas, é melhor levantar da sua cadeira, retirar o tampão da sua boca e começar a agir. Os inimigos do evangelho não perdem tempo, e seria muito bom que você também não perdesse o seu.

Não faça como sapo que é colocado na armadilha da panela fria e que lentamente é cozido pelo seu inimigo. Você tem percepção suficiente para saber o que está acontecendo e saltar da panela o quanto antes.

domingo, 17 de novembro de 2013

Os seis estilos ou arquétipos dos processos decisórios de TI

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Ao lermos o modelo teórico dos arquétipos decisórios de Weill e Ross percebemos que eles variam basicamente de estruturas altamente centralizadas a muito descentralizadas.  Contudo, verificamos também que o processo decisório empresarial envolvendo TI não é algo estático, amarrado. Não é raro verificar que as organizações se utilizam de modelos diferentes para cada tipo de decisão a ser tomada, ou até mesmo uma combinação de tais estilos. Vejamos quais são esses estilos, as vantagens e desvantagens de cada um deles:

1 - Monarquia de negócio:

Esse é um modelo decisório mais centralizado. Nele verificamos que os altos gerentes são os que tomam as decisões – inclusive as de TI – e que vão afetar o negócio como um todo. Contudo, como a área de Tecnologia é extremamente técnica, é de se esperar a colaboração direta do CIO e alguns de seus colaboradores diretos, bem como de outras áreas chave da empresa, como a de orçamento, por exemplo, em vista de envolver, muitas vezes, custos elevados.

1.1  - Vantagens:  Nesse modelo, a empresa é vista de uma forma mais holística, tendo em vista que os altos executivos tendem a enxergar não somente a área de TI, mas as implicações na adoção de uma determinada tecnologia para toda a empresa. Não existirão muitas barreiras para sua implementação, pois ela vem de “cima para baixo”.
1.2  Desvantagens: Se não houver a colaboração do CIO e outras pessoas técnicas, a decisão pode ser influenciada por aspectos meramente políticos ou correm o risco de serem pouco embasadas tecnicamente. Outro aspecto relevante é a baixa participação do nível operacional na adoção de estratégias que afetam diretamente a base da pirâmide, levando a baixo comprometimento e podendo levar ao insucesso da empreitada. 
2 – Monarquia de TI:

Nesse modelo são os executivos de TI que tomam as decisões atinentes à área de tecnologia. Como a área é extremamente técnica, os altos executivos confiam ao CIO e seus colaboradores a condução do processo decisório de TI, ou, pode tratar-se meramente de uma decisão interna que não chegará ao nível dos altos executivos (ex: adoção de um determinado software ou arquitetura de desenvolvimento). Nesse modelo, o CIO goza de um bom nível de influência com os altos executivos e tem liberdade de tomar as decisões. Geralmente elas estarão alinhadas ao planejamento estratégico empresarial, onde o gestor de TI pode ter tido participação ativa na sua elaboração.

1.1   Vantagens: As decisões são tomadas de forma mais rápida e são facilmente adotadas, por não haver muita possibilidade de haver resistência por parte da alta cúpula de TI. Além disso, haverá pouca interferência externa, o que dará à área de tecnologia liberdade na condução do processo decisório.
1.2  Desvantagens: Se o CIO não se alinhar com o planejamento estratégico da empresa, suas decisões poderão ser revisadas pelos altos executivos.
3 – Feudal:

Nesse modelo, bem descentralizado, cada unidade de negócio toma sua própria decisão e de forma independente. É um modelo baseado nas tradições da Inglaterra feudal, onde tínhamos a figura dos príncipes e princesas ou cavaleiros escolhidos que tomavam suas decisões baseando-se em suas necessidades locais.

3.1 Vantagens: Como o poder decisório está mais próximo, as decisões tendem a ser mais facilmente aceitas e a endereçar às necessidades de cada local, trazendo maior apoio e satisfação por parte da equipe envolvida.

3.2 Desvantagens: Dificulta a tomada de decisão da empresa como um todo, e pode gerar uma “colcha de retalhos”, onde cada unidade local “remenda” seu pedaço e a peça final resultante tem pouca padronização.

4 – Federal

Combinação dos modelos feudal com monarquia de negócio, podendo contar com o envolvimento do pessoal de TI. É um modelo tradicional na área de governo, onde se tende a equilibrar responsabilidades e cobranças entre múltiplos órgãos, como o país e os estados, por exemplo.  Os representantes do modelo podem ser os líderes regionais ou os detentores dos processos de negócios. Podem contar com o pessoal de TI para auxiliar como participantes adicionais ao processo.

4.1 – Vantagens: Por ser um modelo onde há participação de todos os envolvidos no processo, pode incluir os interesses do centro do poder como também das unidades federadas, aumentando o nível de satisfação de todos e melhorando os resultados obtidos.

4.2 – Desvantagens: É um modelo de difícil implementação, tendo em vista a disparidade de interesses entre os líderes empresariais dos líderes das unidades regionais. Além disso, as unidades maiores podem ter seus interesses mais acolhidos, por conta de seu maior poder de barganha, deixando as unidades menores insatisfeitas no processo decisório e provocando uma ruptura entre os envolvidos. Para diminuir e resolver os conflitos, é necessária a criação de um comitê executivo.

5 – Dupla Polaridade de TI

Uma espécie de duopólio entre o gestor de TI e o gestor de outra área, é muito comum em decisões que envolvem arquitetura e infraestrutura. Uma parte clara neste modelo é que a área de TI sempre é uma das áreas envolvidas no arranjo bilateral.

5.1 – Vantagens: Como o processo decisório sempre envolverá a área de TI como uma das partes no arranjo, as decisões tendem a ser mais técnicas e mais embasadas, por conta da presença garantida do CIO e seus colaboradores.

5.2 – Desvantagens: Como pode não envolver a alta administração, as decisões no modelo de dupla polaridade de TI podem não refletir tão bem os interesses institucionais, mas meramente os interesses dos envolvidos no arranjo.

6 - Anarquia

Nesse modelo as decisões de TI são tomadas de forma individual ou por pequenos grupos isolados e geralmente consideram somente suas necessidades locais. É um modelo que dificilmente é sancionado pela alta administração, e ocorre em processos mais próximos do nível operacional.

6.1 – Vantagens: Se é que podemos abordar uma vantagem do modelo, falaremos da rapidez que as decisões são tomadas, independentemente de estarem corretas ou não.

6.1 – Desvantagens: As desvantagens desse modelo são muitas: ele depende muito da “intuição” do indivíduo ou do pequeno grupo envolvido na decisão e ela pode estar totalmente desalinhada com os objetivos da área de TI ou até mesmo institucionais. Também é um modelo oneroso de se sustentar e preservar.

Referências:

  •  Artigo: Entendendo a Governança de TI - Novas Direções para a Administração Pública Fabio Perez Marzullo1; Carlos Henrique A. Moreira2; José Roberto Blaschek (1 Autor do artigo, 2 e 3 Co-autores do artigo)
  • Artigo: Seminário de governança de TI da Unicamp

quarta-feira, 15 de maio de 2013

How to recover the lost start menu in Windows 8 | Como recuperar o saudoso botão iniciar no Windows 8


English Article (artigo em português mais abaixo):

Microsoft have made a tremendous effort with it’s new metro user interface to reinvent the way we Interact with the operating system. To make us use the new environment, the start menu was completely removed from the system. The idea to make a single OS for tablets and desktop PC’s is a little bit akward for some users. But, don’t be too fast to complain: developers rushed to ressurrect the old start menu for those who are not comfortable with the new way of doing things in the computer.  There are a couple of tools to make that happen, and we’ll explore two of them here, that are for sure the best tools to get the so desired button back!

StartMenu8 (Free tool)

StartMenu8 makes the Windows 8 desktop environment very similar to Windows 7, and the best thing is that it is completly free. You even have the option to disable the sidebar (I don’t recommend, since metro has it’s advantages too). By default it skips the Windows 8 start screen and lead you directly to the desktop environment with the start menu enabled. It’s a very good option, since you can still have the metro user interface and the sidebar, but the default welcome screen will be the old fashion desktop.


See and download it here.

StartIsBack (Paid Option)

The StartIsBack is probably the tool that most resembles Windows 7 user environment but the drawback is that it is a paid version. Ok, it is a very cheap one - and we’re not Julius from "everybody hates Chris" (the tool costs only US$ 3,00 and you can test it for free for 30 days) - and more professional then StartMenu8. Bellow is a screenshot of the product.



See and download it here.

Well, if you miss that little button in your Windows 8 operating system you don’t need to complain anymore. He’s back and you can even choose which software most fits your need for the, it’s never too much to repeat, start menu!

Artigo em Português:

A Microsoft fez um esforço tremendo com sua nova interface do usuário metro para reinventar a maneira que lidamos com o sistema operacional. Para nos forçar a usar o novo ambiente, o menu iniciar foi completamente removido do sistema. A ideia de fazer um único S.O para tablets e PC’s pode parecer um pouco estranha para alguns usuários. Mas não seja tão rápido para reclamar: os desenvolvedores se apressaram para ressuscitar o velho botão iniciar para aqueles que não andam muito confortáveis com a nova maneira de fazer as coisas no computador. Existe um punhado de ferramentas para tornar isso possível e nós vamos explorar duas delas aqui, que certamente são as melhores ferramentas para ter de volta o botão tão desejado.

StartMenu8 (Ferramenta gratuita)

StartMenu8 torna o ambiente da área de trabalho do Windows 8 muito similar ao Windows 7, e a melhor coisa é que ela é totalmente gratuita. Você tem até mesmo a opção de desabilitar a barra lateral (eu não recomendo, visto que o metro tem suas vantagens também). Por padrão ela desabilita a tela inicial do Windows 8 e te conduz diretamente ao ambiente da área de trabalho com o menu iniciar habilitado. É uma excelente opção, visto que você ainda conta com a interface de usuário metro e com a barra lateral, mas com a tela inicial da velha e boa área de trabalho do Windows 7.


  Veja e faça o download aqui.

StartIsBack (Opção paga)

O StartIsBack é muito provavelmente a ferramenta que mais se assemelha ao ambiente de usuário do Windows 7, mas a desvantagem é que essa é uma versão paga. Ok, é muito barata e não queremos dar uma de Julius do “Todos odeiam o Cris” (a ferramenta custa apenas US$ 3,00 e você pode testá-la de graça por 30 dias) e é mais profissional que o StartMenu8. Abaixo um screenshot do produto.


Veja e faça o download aqui.

Bem, se você sente saudades daquele pequeno botão no seu sistema operacional Windows 8 você não precisa mais reclamar. Ele está de volta e você pode até escolher qual desses softwares mais se ajusta às suas necessidades para, nunca é demais repetir, ter de volta o seu velho menu iniciar!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Batismo infantil no cristianismo – Uma prática Bíblica ?

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Ontem vi uma notícia muito positiva. Várias denominações protestantes nos EUA estão em vias de assinar um acordo com a Igreja Católica para reconhecimento mútuo do sacramento do batismo. Isso significa, em termos práticos, que se um protestante virar católico (ou vice-versa), ele não terá de ser rebatizado. O sacramento do batismo será válido para as igrejas signatárias do acordo. No entanto, muitas questões vão surgir nas mentes das pessoas, principalmente na dos protestantes. Para os católicos o reconhecimento do batismo realizado nas Igrejas protestantes nunca foi um problema, exceto naquelas que possuem vícios patentes na fórmula batismal, como é o caso de algumas seitas (ex: testemunhas-de-jeová). Mesmo antes a Igreja Católica já reconhecia como válidos os batismos realizados pelas denominações protestantes tradicionais, como a Igreja Batista, a Assembleia de Deus, a Presbiteriana, dentre outras mais sérias.  O problema sempre foi no sentido inverso. Sempre que algum católico, por alguma razão, resolvia abandonar a Igreja para frequentar um templo protestante, não era raro haver a exigência do rebatismo. “Não reconhecemos o batismo infantil” ou “não reconhecemos o batismo da Igreja católica”, são algumas das objeções mais frequentes para a prática de repetir um sacramento que é, em sua essência, irrepetível.

Neste breve ensaio, vamos mostrar a razão que possivelmente levou as denominações protestantes a assinarem o histórico acordo, bem como mostrar de maneira sólida que o batismo infantil é não somente correto, mas é também, acima de tudo, bíblico.

A circuncisão judaica era uma sombra do batismo cristão

O apóstolo São Paulo nos diz que a Lei era uma “apenas uma sombra dos bens futuros” (Hb 1,10sei que há controvérsias acerca da autoria da epístola aos Hebreus, mas ficarei com a interpretação mais aceita de que foi São Paulo o seu autor). Em Colossenses 2,11-12 ele faz o paralelo direto entre a circuncisão judaica e o batismo cristão. Enquanto que a circuncisão marcava para o judeu a entrada na aliança mosaica, no "povo eleito de Deus", para o cristão o batismo marca a entrada da pessoa na comunidade, na Igreja do Senhor Jesus Cristo. A analogia é tão clara que ele (São Paulo) chama o batismo de “circuncisão de Cristo”.

Sendo a circuncisão judaica um paralelo do batismo cristão, surge a pergunta inevitável: os judeus circuncidavam seus filhos em qual fase da vida ? Na vida infantil, e para ser mais preciso, no oitavo dia de vida (ver em Gn 17,11). Os fisiologistas Emmett Holt e Rustin Mcintosh descobriram em suas pesquisas que um bebê recém-nascido tem maior facilidade de apresentar um quadro hemorrágico entre o seu 2º e 5º dia de vida. Porém, no 8º dia os níveis de Vitamina K e A Protombina são normais no sangue do bebê, não havendo riscos de hemorragia. Também observou-se que a vitamina K, que é um importante fator de coagulação, não atinge os níveis ideais entre o 5º e o 7º dia de vida. Porém, no 8º dia os níveis da vitamina estão no ponto ideal para evitar o processo hemorrágico. Aqui cabe uma pergunta: como Abraão poderia saber dessa informação ?

Se a circuncisão marcava a entrada do judeu no chamado “povo eleito de Deus”, na Antiga Aliança, e que ela é, na interpretação canônica de São Paulo uma sombra do batismo cristão, que marca a entrada da pessoa na Igreja e na aliança do Novo Pacto, e que tal procedimento era feito na infância, qual a razão de rejeitar a ideia de que o batismo pode – e deve – ser ministrado igualmente nas crianças recém-nascidas? Guarde esta pergunta para respondê-la de forma consciente no final do artigo.

A Bíblia nega em algum lugar a prática do batismo infantil ?

Por mais que se tente dizer que na Bíblia só temos exemplos de batismos entre adultos – o que não é bem uma verdade – em lugar algum das Escrituras vemos qualquer menção proibindo a prática. A proibição, por mais irônico que possa parecer, não resiste ao exame de um dos pilares do protestantismo – o “Sola Scriptura”. Os opositores da prática podem relutar, mas, se forem pressionados, acabarão por admitir que não existe um só versículo que negue ao cristão a possibilidade de batizar suas crianças.

Antes de prosseguirmos em nossa linha de raciocínio, devemos, primeiro, entender o quê significa o batismo cristão.

O que é o Batismo ?

O batismo é para a Igreja um sacramento, um mandamento expresso de Jesus Cristo para aqueles que desejam entrar na vida cristã e na própria vida eterna. “...em verdade te digo: quem não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus” (João 3,5). “Ide pois, e ensinai a todas as nações: batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28,19). “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Marcos 16,16).

Todas essas palavras são atribuídas ao próprio Jesus Cristo. Sendo assim, o batismo não é uma brincadeira. Também não é algo “opcional”, algo que o cristão pode considerar fazer ou não. É uma ordenança, que deve ser cumprida. Afinal, a Igreja, desde os tempos primeiros do cristianismo entendeu a relevância da admoestação de Jesus e reconheceu o batismo como sacramento, o ritual de entrada na comunidade cristã. Não é à toa que o primeiro manual de liturgia conhecido pela Igreja (Didaquê) já enfatizava que aos não-batizados não era lícito aproximar-se da eucaristia:

Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor, pois sobre isso o Senhor [Jesus] disse: "Não deem as coisas santas aos cães".

Vemos claramente que Jesus Cristo deu a este sacramento o efeito de produzir um “Renascimento”, uma “Regeneração Espiritual” (João 3,5 e Tito 3,5-7), que tem o condão de perdoar até mesmo o pecado original e outros, se houverem, comunicando à alma a graça divina e santificante (Efésios 5,26-27). Que o pecado original é trazido no homem desde o nascimento há pouca margem para dúvida. A epístola de São Paulo aos Romanos no capítulo 5, nos versículos 12-14 e 19 mostra os efeitos do pecado original no homem. E São Pedro destaca em Atos 22,16 acerca da possibilidade de lavá-los no batismo: "E agora, porque te demoras? Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome dele." O sacramento do batismo aparece na Sagrada Escritura como tendo este poder – dado por Cristo, é claro – de lavar os pecados daquele que é batizado. Lembremos também a ocasião em que São Pedro anunciou enfaticamente: “Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados.” (At 2,38-39). Alguém ainda pode duvidar que o sacramento do batismo lava o cristão do pecado original ?

E o ladrão da cruz, precisou de batismo para se salvar ?

Muitos gostam de destacar as exceções como se estas devessem ser consideradas como regras. É evidente que o ladrão da cruz não foi batizado, e mesmo assim Jesus garantiu a ele que naquele dia ainda estaria com ele “...no paraíso” (Lc 23,43). Temos de considerar dois fatores nesta passagem: primeiro, Cristo nem sequer havia morrido naquele momento. A Antiga Aliança ainda estava em pleno vigor. A Nova Aliança só começou a vigorar e ter pleno efeito após a ressurreição do Senhor.  E você lembra o que marcava a entrada de alguém na velha aliança ? Sim, a circuncisão. Mas, devemos considerar também que quem estava na cruz próximo ao “bom ladrão” era ninguém mais, ninguém menos que o próprio Deus encarnado. Ele não somente tinha o poder como a capacidade de salvar a quem ele bem entendesse.

A regra que deve ser considerada pelo cristão está bem expressa na Sagrada Escritura: o batismo é condição básica para alguém ser considerado cristão.

E as crianças que morrem sem batismo, estão perdidas ?

Creio que esta pergunta fica bem respondida com o texto dos evangelhos, que diz em suma “Deixai as crianças virem a mim, e não as impeçais, porque o Reino dos céus pertence a tais como estes.” (Mateus 19,14, Marcos 10,14, Mateus. 18,2-5 e Lucas 18,16)

As crianças são seres que ainda não foram contaminadas, do todo, pela maldade. Elas têm, é claro, o pecado original, se não tiverem sido lavadas dessa sujeira no sacramento do batismo. Contudo, Deus, em sua infinita misericórdia, saberá tratar com esses seres inocentes que morrerem sem cumprir o seu mandamento, porém, sem carregarem a culpa por isso. Como poderíamos imputar culpa a uma criança que depende muitas vezes de seus pais para tudo ? Mas aqui façamos um paralelo. Na Antiga Aliança, deixar de circuncidar o filho homem no oitavo dia era algo impensável para os judeus. Deixar de fazê-lo significaria uma desobediência grave ao preceito da Lei por parte dos pais.  Por mais irônico que possa parecer, o próprio Moisés quase foi morto pelo Senhor enquanto estava reticente em circuncidar seu filho (por favor, leia Êxodo 4,24). Dai vemos a gravidade em deixar de cumprir um mandamento expresso do Senhor.

Se o batismo infantil era o padrão, por que Jesus se batizou somente depois de adulto ?

Antes de considerarmos essa questão, devemos lembrar que Jesus Cristo viveu e cumpriu integralmente a Velha Aliança, para então inaugurar a Nova. O sacramento do Batismo não era a regra quando do nascimento do Salvador. Na verdade, ele só faz parte do ministério de Jesus quando o mesmo se iniciou, quando ele tinha 30 anos, através das mãos de João Batista, aquele que veio para “preparar o caminho do Senhor”. Sendo assim, como Jesus poderia ser batizado se ainda seu ministério e a Nova Aliança sequer havia iniciado? Os ritos da lei mosaica só deixariam de valer após a ressurreição de Cristo (cf. Mt 26:61). Mas, nunca é demais recordar que Jesus foi apresentado no templo quando criança, pois este preceito da lei mosaica ainda estava em plena validade, enquanto que o batismo ainda não. Veja que os ritos de iniciação da religião judaica nunca excluíram as crianças: tanto a circuncisão, para os filhos varões, quanto a consagração no templo eram feitos quando a criança era recém-nascida. Por qual razão o batismo, o ritual de iniciação cristã por excelência, deve deixar de fora aqueles a quem Jesus tanto frisou para deixar virem a ele?

A Bíblia mostra o batismo de famílias inteiras, não há nenhuma razão para acreditarmos que as crianças eram excluídas. Aliás, as palavras usadas na Sagrada Escritura as inclui quase de forma explícita

“Deixai as crianças virem a mim, e não as impeçais, porque o Reino dos céus pertence a tais como estes.” (Mt 19,14; Mc 10,14; Mt. 18,2-5 e Lc 18,16). Quando São Pedro diz em Atos 2:38-39, que a promessa do batismo é “para você e seus filhos, e aqueles muito longe.” A palavra grega empregada para denotar “filhos” é teknon. Esta é a mesma palavra usada em Atos 21,21 para descrever crianças de oito dias de idade (a mesma idade da circuncisão judaica). Sendo assim, São Pedro afirma que o batismo é tanto para crianças quanto para adultos. Além disso, em Atos 16,15, lemos que Lídia e “sua casa ou lar” foram batizados. A palavra para ”casa ou lar” aqui é éoikos, e sua definição incluía lactentes e crianças. “Naquela hora da noite, o carcereiro levou-os consigo para lavar as feridas causadas pelos açoites. A seguir, foi batizado com todos os seus. (At 16,33)” “Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com toda a sua família; e muitos coríntios, que escutavam Paulo, acreditavam e recebiam o batismo. (At 18:8)” “Ah! Sim. Batizei também a família de Estéfanas. Além deles, não me lembro de ter batizado nenhum outro de vocês” (1 Cor 1,16). Devemos lembrar que na cultura judaica as famílias eram, via de regra, grandes. E certamente incluía crianças de todas as idades, inclusive recém-nascidos. O batismo de famílias inteiras só reforça a tese de que as crianças que faziam parte delas estavam inclusas no arranjo cristão.

É importante salientar que se a prática do batismo infantil fosse ilícita, como alguns querem dar a entender, era de se esperar que a Sagrada Escritura a proibisse explicitamente, principalmente para conter os judeus da aplicação de Batismo para seus filhos, como faziam com a circuncisão.  Mas o silêncio encontrado no Novo Testamento e nos escritos dos Patriarcas é retumbante, um silêncio que é muito profundo e ao mesmo tempo significativo.

O testemunho dos primeiros cristãos e dos pais da Igreja

O cristianismo existe há mais de dois mil anos. E o mais impressionante é que a história de nossa religião é ricamente documentada. É uma pena que para muitos cristãos, a Igreja parece ter congelado no tempo após São João ter escrito o último ponto do apocalipse. Nada mais longe da verdade. Os apóstolos deixaram sucessores em cada Igreja que fundaram pessoalmente. Homens que aprenderam deles as tradições cristãs e os instruíram a conservá-las (1 Tm 6,20). Muitos deixaram escritos que foram preservados e que estão à nossa disposição ainda hoje, mostrando um retrato inconfundível de como era a fé dos primeiros cristãos.

Acerca do batismo, não são poucos os testemunhos escritos e até achados arqueológicos acerca da prática de incluir as crianças recém-nascidas neste sacramento. Vejamos alguns exemplos patentes.

Irineu, que viveu entre os anos 130-200 d.C, escreve acerca do batismo cristão:

Pois Ele [Jesus] veio para salvar a todos através de Si mesmo – tudo, eu digo, que através Dele nasceram de novo a Deus – bebes e crianças, e meninos, e jovens e velhos” (Contra heresias, 2, 22, 4).

Clemente de Alexandria, que viveu entre 155-225 d.C escreveu que o batismo se destina:

"a crianças pequenas" (O pedagogo 3,11, 195 d.C)

Hipólito, que viveu entre 169-235 d.C, recomenda:

"Sejam batizadas, primeiramente as crianças" (Tradição Apostólica - 215 d.C)


Orígenes, que viveu entre 185-255 d.C escreve:

A Igreja recebeu dos Apóstolos a Tradição de dar batismo também aos recém-nascidos” (Ad Rom. 5, 9)

Cipriano, bispo de Cartago, na África, que viveu no segundo século da era cristã, escreveu:

A graça do batismo não deve ser apartada de ninguém e especialmente das crianças. Pois os Apóstolos, a quem foram confiados os segredos dos mistérios divinos, sabiam que há em todos, as manchas do pecado original, que devem ser lavados através da água e do Espírito”. (Comentários Sobre Romanos 5,9)

Santo Agostinho, respeitado tanto por católicos quanto por protestantes, também dá um testemunho fundamental acerca da questão.

Este [o batismo infantil], a Igreja sempre teve, sempre manteve, o que ela recebeu da fé dos nossos antepassados; isso, ela guarda perseverantemente até o fim” (Sermão. 11, De Verbo Apost)

Quem é tão impiedoso  ao desejar excluir as crianças do reino dos céus proibindo-as de ser batizadas e nascidas de novo em Cristo?” (Sobre o pecado original 2, 20)

Além desses exemplos temos vários outros de concílios regionais e ecumênicos, mas as referências aqui alistadas já são suficientes para mostrar o ponto que a Igreja primitiva foi praticamente unânime no tocante à licitude da prática do batismo infantil.

Achados arqueológicos reforçam o batismo infantil

Em Maio de 2005 tivemos uma grande descoberta no campo da arqueologia. Foi encontrada em Jerusalém o que se acredita ser a mais antiga Igreja cristã já vista. Nas escavações feitas para a ampliação de um presídio no vale do Megido tivemos a grata surpresa. Transcrevo abaixo um trecho de um artigo da internet:

Durante os primeiros trabalhos para a construção de mais um setor da cadeia foi achado junto do local um mikveh, ou seja uma pia batismal” (fonte: http://www.cafetorah.com/node/94). Quero chamar a sua atenção para um detalhe: a mikveh, ou pia batismal.

Além disso, as catacumbas de Roma, onde eram realizadas as primeiras missas, quando a Igreja sofria forte perseguição do Império Romano, temos uma singela pintura na parede. A pintura de uma criança sendo batizada, por aspersão, por um adulto.

Figura pintada na parede de uma Igreja primitiva (início do século II)


"Sou contra o batismo infantil. Algo feito sem a devida consciência não tem validade"

Será ? Então teremos de concluir também que a circuncisão judaica não valia. Já parou para pensar nas consequências deste tipo de raciocínio ? Quantas decisões os seus pais tomaram por você e que por mais que você tente, não conseguirá invalidá-las ? Só para começar com um exemplo bem claro, foram seus pais que escolheram o seu nome. Você não teve nenhuma participação nisso. Goste do seu nome ou não, é o seu nome. A justiça só costuma deferir pedidos de mudança nos casos em que o nome causa embaraço para a pessoa. Do contrário é com esse nome escolhido pelos seus pais que você terá de conviver para o resto de sua vida. Eles também escolheram a escola que você ia estudar. Escolheram a roupa que você vestia. Escolheram o tipo de penteado que você ia usar. Escolheram também para onde te levar, qual a diversão que você iria ter. Então por que não poderiam escolher batizar você numa Igreja cristã ? Depois de adulto você pode optar por seguir a fé de seus pais ou não e isso em nada invalida o ato realizado por eles, que, por amor, levaram você de maneira salutar à Igreja cristã para lavar a sua mancha do pecado Adâmico.

Além disso, como Jesus mesmo disse, é necessário ao cristão "nascer da água e do espírito" (Jo 3,5). Na Igreja Católica, o nascimento na água é representado pelo batismo, geralmente feito nas crianças, para retirar a mancha do pecado original. Porém, existe um segundo sacramento, ministrado somente após a idade da razão - ou seja, após os 15 anos e por opção pessoal do candidato - chamado de Crisma. Este sacramento consiste na confirmação do Batismo pelo Espírito Santo, na qual o fiel crismando é enviado ao mundo para testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo em atos e palavras. Vemos assim que a objeção apresentada para invalidar o batismo católico por retirar da pessoa a possibilidade de escolha de seu caminho espiritual não tem nenhuma base sólida.

Conclusão

Depois de tudo o que já vimos, fica clara e evidente a prática cristã do batismo, e que ela incluía as crianças no arranjo. Toda e qualquer argumentação em contrário parte de sofismas e de argumentos construídos meramente para se sobrepor à prática cristã adotada há milênios. É uma tese feita sob medida, com uma conclusão preconcebida e fechada aos fatos. Vimos aqui coisas que, uma vez conhecidas, praticamente impossibilitam a mente aberta a, pelo menos, aceitar o fato de que o batismo praticado pela Igreja Católica é não somente válido, como é exatamente aquele mesmo rito instituído pelos apóstolos de Jesus Cristo.

Terminarei este artigo com as palavras de Santo Agostinho:

Quem é tão impiedoso ao desejar excluir as crianças do reino dos céus proibindo-as de ser batizadas e nascidas de novo em Cristo?

Ou quem sabe as palavras do próprio Cristo não ecoam melhor em sua mente ?

Deixai vir a mim as criancinhas...não as impeçais